Teatro Sui Generis apresenta performance “Habitáculo”

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A companhia de Teatro Sui Generis apresenta, este sábado, “Habitáculo”, na Escola Secundária Michel Giacometti, na Quinta do Conde. O espetáculo nasceu do envolvimento das comunidades daquela localidade do concelho de Sesimbra, no âmbito de um processo artístico participativo.

Em entrevista ao Semmais, Lara Matos, produtora e cofundadora da estrutura teatral, explica que “o projeto arrancou em setembro”, após um “vasto processo de divulgação” realizado por toda a localidade. “Queríamos que as pessoas saíssem um pouco da sua zona de conforto e, desde muito cedo, houve uma temática muito clara: o território. O que é habitar um território? Que desejos temos enquanto indivíduos?”, questiona.

Segundo a responsável, as respostas recolhidas variavam consoante as gerações. “Os mais jovens sentiam algum vazio em relação ao território, no que diz respeito ao sentimento de pertença, enquanto os mais velhos falavam muito sobre a forma como este território foi construído. Procurámos criar uma balança entre o passado, o presente e o futuro”, revela.

A encenação não será, por isso, “um espetáculo convencional”, mas antes “uma performance participativa”, que procura refletir “as inquietações e urgências das comunidades e a relação com o território”. “Vamos apresentar apenas as pessoas que se mantiveram no projeto até ao fim, cerca de dez, e não haverá atores da companhia nem profissionais. Mais do que contar uma história, queremos provocar uma reflexão, para que as pessoas se revejam nos quadros apresentados e pensem sobre as suas vidas, percursos e necessidades”, acrescenta.

A escolha da Escola Secundária Michel Giacometti como local de apresentação não é inocente. De acordo com Lara Matos, pretende também “reforçar a ligação ao território e a utilização do espaço público”. “Não queríamos uma sala fechada ou um espaço limitado. Ensaiámos sempre na rua, em jardins e largos, e não fazia sentido alterar essa natureza do espetáculo. Queríamos um local que representasse o espaço público, e uma escola acaba por ser o centro de uma comunidade”, defende.