O espetáculo, que parte das celebrações do 25.ª aniversario da companhia, coloca em palco as coreografias “Public Domain”, “Eurídice e o Instante” e “Almada e Tudo!”.
A Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC) leva à cena do Teatro Joaquim Benite, em Almada, este sábado, o espetáculo “CPBC Apresenta”, que reúne coreografias de três nomes marcantes da história da companhia, nomeadamente Ricardo Campos Freire, Vasco Wellenkamp e Maria Mira.
O programa surge no âmbito das celebrações do 25.º aniversário da CPBC, assinalado em 2023, e apresenta as peças “Public Domain”, de Ricardo Campos Freire, “Eurídice e o Instante”, de Vasco Wellenkamp, e “Almada e Tudo!”, de Maria Mira. “Procurámos fazer um apanhado de várias linguagens que caracterizam a nossa companhia. O programa não tem propriamente uma narrativa, mas aborda questões concretas da sociedade, interpretadas pelos nossos bailarinos”, explica Susana Coelho, diretora artística da Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, em declarações ao Semmais.
A responsável detalha que a primeira obra aborda “os direitos humanos e a manipulação de massas”; a segunda “revisita a lenda de Orfeu e Eurídice, explorando as relações e o amor”; e a terceira “inspira-se no Manifesto Anti-Dantas”, dito por Mário Viegas.
Para Susana Coelho, esta apresentação pode também representar diferentes momentos da estrutura e da própria dança contemporânea. “É um programa que me parece relativamente homogéneo em termos de linguagem, embora distinto, porque são três coreógrafos diferentes, todos com linguagens muito ricas. Não querendo ser limitadora, quase que pode ser visto como uma viagem entre passado, presente e futuro: o Vasco vem do passado, o Ricardo Freire representa alguém já plenamente implementado e a Maria Mira, que era extremamente jovem quando criou esta peça, traduz uma linguagem mais virada para o futuro”, sublinha.
Apesar de se cruzarem em palco, as criações evidenciam, segundo a diretora artística, “três vertentes e expressões” distintas, sendo também exemplificativas da “extrema versatilidade e enorme qualidade dos bailarinos” da companhia. “Eles têm uma capacidade incrível de adaptação às diferentes linguagens coreográficas”, destaca.
A música, a palavra e o próprio silêncio assumem um papel central nestas criações. “No Manifesto Anti-Dantas, por exemplo, não existe música, o que torna a interpretação extremamente interessante, porque é a palavra que faz dançar, é a palavra que constrói a peça. A obra do Vasco conta com música de Philip Glass, mais tensa e elaborada, enquanto a primeira, de Ricardo Freire, recorre a música contemporânea, num conjunto de colagens criadas pelo próprio coreógrafo”, conclui.



