Passadeira vermelha ou linhas vermelhas?

Quem é o líder da direita: Ventura? Pedro Passos Coelho ou Montenegro?

Há sempre várias formas de vermos as coisas e normalmente optamos por as ver como queremos, o mesmo é dizer que o fazemos, como nos dá mais jeito.

O mesmo se passa com a imprensa. Pedro Passos Coelho sempre teve má imprensa. Sempre? Não. Sempre que esteve a defender o PSD, porque agora que o está a atacar, passou a ser o Messias, o desejado, o homem que vai federar a direita.

Até leio que vai ficar com os votos do Chega. Vamos a ver se nos entendemos. Escolham a tese. Ele vai federar, porque vai liderar o PSD e com isso vai formar um governo com o Chega e com a IL ou vai simplesmente eliminar Ventura da equação?

Ah, já agora, não era o Ventura há apenas uma ou duas semanas o líder da direita? Entendam-se, é o Ventura ou o Pedro Passos Coelho? Ou os sábios comentadores e jornalistas acham que Pedro Passos Coelho aparece e André Ventura lhe estende uma passadeira e o eleitorado do Chega se transfere automaticamente para o PSD ou Ventura aceita ser o n.º 2 de Pedro Passos Coelho depois de andar a prometer que ele próprio seria esse Messias anunciado, qual Salazar ao cubo?

E se PPC hipoteticamente tomasse o poder no PSD Ventura e, já agora, o próprio PS (e a imprensa) que agora o enche de elogios e encómios, iam continuar a elogiá-lo? Não o criticavam? Se acreditam nisto, naturalmente que acreditam no Pai natal e, já agora podem acreditar que PPC vai federar o país – deixa de haver PS, Chega (que agora tanto o elogiam) e o actual PSD e funda-se um partido novo de admiradores de PPC.

E quanto ao PSD, como tomaria Pedro Passos Coelho o poder? Sim, porque existem órgão eleitos, autarcas eleitos e comprometidos com a actual linha política, deputados igualmente eleitos e escolhidos por esta direcção e que votaram este programa e, mais importante, sufragaram estas linhas vermelhas com o Chega.

Bem sei que não teremos todos a mesma linha de compromisso, o mesmo carácter, a mesma integridade e que, a história ensinou-nos que na política, o que hoje é verdade, amanhã é mentira, mas admitir que tantos autarcas, ao ponto de terem ganho a Associação Nacional de Municípios e também a de Freguesias e o maior Grupo Parlamentar, todos eles escolhidos ou comprometidos com a actual linha política, mudavam ao primeiro suspiro do salvador é desconsiderar muita gente ao mesmo tempo ou então acreditar em “historinhas da carochinha”.

Mas, se acreditarmos nisto e os militantes? Recordo-vos que ainda há menos de um mês disseram taxativamente que não queriam André Ventura, ao ponto de mais de 85% (a acreditar nos estudos de opinião) terem votado num socialista (Seguro) para Presidente. Esses não contam?

E a população, que mesmo numa votação em que o vencedor já estava encontrado, portanto podia votar tranquilamente e sobretudo uma população que sabemos que actualmente é largamente maioritária de direita, mesmo com o cenário descrito, preferiu votar num socialista só para não dar mais votos ao Ventura. Isso não é uma mensagem política senhores comentadores e senhores jornalistas?

Para mim é evidente que o líder do país, não da direita, mas sim, mesmo do País é Luís Montenegro, que ganhou as eleições de forma reforçada há menos de um ano e há seis meses teve uma grande vitória nas autárquicas, tendo ganho igualmente na Madeira e Açores e mesmo tendo perdido as presidenciais, num cenário de fragmentação da direita, tem um Presidente eleito que vai seguramente cooperar.

Por fim, uma palavra para Pedro Passos Coelho. Curiosamente nunca fui um Passista. Internamente apoiei Rangel. Depois fui um crítico da sua política porque defendia publicamente algo que agora é consensual – foi um grande, enorme PM, mas fez muito mal ao partido, de tal forma que abriu as portas ao que aí veio – a “geringonça”.

E agora, desculpem-me a frontalidade, mas o que está a fazer a um homem que sempre lutou por ele, não é bonito e até classificaria com outro nome, a que me vou e vos vou poupar. Luís Montenegro foi para PPC o que Hugo Soares é para Montenegro e não merecia tamanha deslealdade.

Luís Montenegro resistiu ao “Caso Spinumviva”, a um parlamento hostil, dividido com uma esquerda feroz – Pedro Nuno Santos de um lado e Ventura do outro e a uma IL pouco amistosa, sobreviveu a um presidente que apesar de ser de direita, era feliz com Costa e não o esconde, sobrevive(u) a uma imprensa hostil que não o considera, talvez por u«o considerar, tal Marcelo, como um provinciano, sobreviveu e é o último estandarte a estancar o populismo de Ventura, por isso, estou certo que sobreviverá a Pedro Passos Coelho, que estende uma passadeira vermelha, precisamente a quem nós (PSD) estamos a colocar uma linha vermelha.

Paulo Edson Cunha – Deputado PSD