“Saber ir ao fundo” junta música e desenho numa viagem sobre o poder da imaginação

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Espetáculo da estrutura Frenesim, “Saber ir ao fundo” coloca em palco os artistas Rita Campos Costa, Zé Figueiredo e Miguel Ramos, marcando o início de um díptico intitulado “Piscina dos Pequeninos”.

Um concerto encenado sobre o ato de ir ao fundo das perguntas, onde o som, através da música, se cruza com a imagem, através do desenho realizado ao vivo. Destinado a toda a família, o espetáculo é levado este domingo à Casa da Música Jorge Peixinho, no Montijo, pela estrutura Frenesim, em colaboração com o artista plástico Miguel Ramos.

A apresentação propõe uma viagem por um universo de questionamento, profundamente contemplativo, que não procura fechar‑se em respostas concretas. “É um espetáculo que, desde o início, quisemos que fosse muito simples — não simplista, mas minimalista. Daí surgiu a decisão de cantarmos e tocarmos ao vivo e de termos como única cenografia um papel que cobre praticamente todo o chão, onde vamos fazendo perguntas”, explica Rita Campos Costa, diretora artística da Frenesim, que participa em palco juntamente com Miguel Ramos e Zé Figueiredo.

Para a artista, “Saber ir ao fundo” funciona como “um jogo”, com várias camadas, “bastante abstrato”, que pretende confrontar o público com diferentes inquietações e, de forma imaginativa, chegar à mente das pessoas. “Esse papel que cobre a cena é como a nossa área de jogo. É a partir daí, em conjunto com as canções, que partimos para esse questionamento sobre o fundo. Mas o que é ir ao fundo? Que fundo? O fundo do mar? O fim do mundo? O que está no fim da vida? O papel é como se fosse a nossa imaginação. É como se estivéssemos a habitar um lugar vago cheio de perguntas, fantasias e ideias, algo que as crianças fazem naturalmente. Este espetáculo é triste? Diria que não. Tem muitos momentos cómicos, embora já tenha feito chorar muitos adultos, porque ir ao fundo deixa nos, por vezes, sem jeito”, refere.

Estreado há pouco mais de um ano, o espetáculo, revela a criadora ao Semmais, marca o início de um díptico que nasce de uma oficina intitulada “Piscina dos Pequeninos”, realizada com crianças. A segunda parte, com estreia prevista para daqui a dois anos, chamar-se-á “Boiar”. “Depois de irmos ao fundo, fazermos perguntas e percebermos que nem sempre há respostas, ficamos mais aliviados. Boiar é um ato de sobrevivência sem esforço, mas antes precisamos de atravessar estas ondas drásticas de ir ao fundo” conclui.