Empresas garantem 300 residências e hotelpara novos trabalhadores em Sines

Câmara municipal estima que, nos próximos cinco anos, sejam necessárias entre 3.000 a 4.000 novas casas. Os projetos já anunciados pelo porto de Sines, Madoqua e Calb abrangem também o concelho vizinho de Santiago do Cacém.

As grandes e médias empresas instaladas em Sines preparam-se para, nos próximos cinco anos, trazerem para a região cerca de 5.000 novos operários. Esta chegada pressupõe igualmente a criação de, pelo menos, outros tantos postos de trabalho indiretos. De acordo com as previsões da autarquia local, serão necessárias entre 3.000 e 4.000 novas residências. Essa tarefa já se iniciou, com alguns dos principais empregadores a assumirem a responsabilidade de construir. Já existem algumas confirmações, nomeadamente a da edificação de mais de 300 residências e até de um hotel capaz de receber 700 novos operários.

A Madoqua, que aposta nas energias renováveis e na produção de hidrogénio verde e amónia, é uma das empresas que assumiu a necessidade de construir habitação para os seus trabalhadores. A intenção já manifestada é a de edificar entre 150 a 200 apartamentos numa área de condomínio que irá ter outros serviços de apoio, nomeadamente supermercado, farmácia e área de lazer, com campos de jogos.

Já a chinesa Calb, empresa das mais representativas em todo o mundo na produção de baterias de lítio para automóveis elétricos, prepara-se para concretizar dois grandes empreendimentos tendentes a criar habitação para os cerca de 1800 novos trabalhadores que conta trazer para a região. Numa primeira fase, até 2028, a empresa deverá investir na construção de 70 moradias em Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém. Será ainda nesse município que se prevê que seja construído um hotel capaz de albergar mais 700 operários.

Porto avança com a construção de 70 apartamentos

Também o porto de Sines anunciou, por intermédio do seu administrador, Pedro do Ó Ramos, um investimento na ordem dos dez milhões de euros na construção de 70 apartamentos T1 e T2. A ideia é arrendar estas casas a preços abaixo dos valores que são praticados no concelho onde, recorde-se, uma casa com dois quartos e uma sala (T2) chega a ultrapassar os 2.000 euros mensais e onde é quase impossível construir uma habitação nova sem que o custo total não ronde o meio milhão de euros.

“A procura de terrenos para construção em concelhos vizinhos é normal. Já quando era presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém fui contactado por algumas empresas que pretendiam saber da possibilidade de ali construirem. É normal que assim seja, até porque prevemos que a breve trecho o cocncelho de Sines ultrapasse os 20 mil habitantes. É necessário arranjar habitação em todos os locais que tenham essa disponibilidade”, disse ao Semmais o presidente da autarquia siniense, Álvaro Beijinha.

O autarca disse ainda que os grandes investidores que já se encontram instalados na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) têm noção “da nova realidade” que se avizinha e não só procuram soluções de construção como “tentam firmar parcerias com empresas do ramo imobiliário”: “Existe uma enorme necessidade de construir habitação, porque a carência de mão-de-obra especializada é igualmente uma realidade. Os grandes investidores sabem disso e estão preocupados, até porque é possível que se agravem questões como a do arrendamento. A câmara de Sines, com um orçamento de 12 milhões de euros, não possui capacidade financeira para sozinha resolver esta questão. É preciso não esquecer que para além da criação de novas habitações há depois que dotar a cidade com as restantes infraestruturas que acompanham o aumento do parque habitacional, e que têm a ver com serviços de saúde, de segurança, escolares, arruamentos e respetivas infraestruturas, etc”.