Empresários dizem que pagam as rendas e ordenados,mas não têm areia

A época balnear arrancou na segunda-feira, mas a APA diz que o enchimento das praias só deverá ficar concluído na segunda quinzena. Empresários dizem que gastam cerca de 5.000 euros por cada nadador/salvador e defendem que deveria haver vigilância durante todo o ano.

As marés ão estão de feição para concessionários e frequentadores das praias da Costa da Caparica. Com a época balnear a iniciar-se já segunda-feira, falta areia na maior parte daqueles espaços. Os comerciantes que alugam áreas na frente de mar queixam-se de que irão perder muito dinheiro por serem obrigados a trabalhar e a pagar rendas e ordenados numa zona que ainda se encontra a sofrer os trabalhos de reposição dos areais levados pelo mar durante as tempestades de fevereiro.

“Está tudo muito mal. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) anunciou, primeiro, que a reposição da areia deveria estar concluída em maio. Depois disseram que seria no início de junho e agora já falam que os trabalhos só estarão concluídos após a primeira quinzena. Entretanto temos rendas para pagar, funcionários a quem pagar e, inevitavelmente, um número bem mais reduzido de utentes, porque ninguém quer vir para uma praia sem areia”. O lamento é de Acácio Barradas, um dos 11 empresários que anualmente exploram espaços de apoio de praia na frente urbana da Costa da Caparica, Almada.

Acácio Barradas diz que para além dos 11 concessionários da frente urbana há, pelo menos, mais uma dezena de empresários que fi carão igualmente lesados devido à prevista pouca procura dos seus espaços: “Não é uma questão de somenos importância e, infelizmente, nem sequer é uma novidade. No ano passado, por existirem obras no jardim em frente à Praia do Paraíso, tive dois meses de acesso condicionado à minha concessão. Acabei por deixar de faturar cerca de 50 mil euros. Queixei-me à câmara de Almada e o que me disseram é que me iam dar um mês de renda, ou seja, 1.000 euros. Desta vez, apesar de estarmos a protestar por todos os prejuízos que se avizinham, também não dão qualquer saída”.

Um concessionário pode ter até 30 funcionários

Os concessionários de apoios de praia na frente urbana da Costa da Caparica são dos maiores empregadores da cidade durante a época balnear. Acácio Barradas diz que, em alguns casos, cada empresário pode empregar até 30 pessoas. Por outro lado, instalar materiais e pagar licenças pode ascender a 30 mil euros.

“Há muito mais despesa neste tipo de negócio do que se possa imaginar. É preciso pagar os licenciamentos, a limpeza, os nadadores e respetiva alimentação. Para que tudo isto resulte é preciso, também, que o que temos para oferecer esteja em condições de atrair pessoas. A APA não fez o enchimento das praias na altura em que devia. Agora há atrasos significativos, contas para pagar e falta das receitas estimadas”, diz ainda o concessionário, lembrando que sem cumprirem o estipulado, não é possível manter os negócios abertos.

“Os nadadores/salvadores são obrigatórios a partir de segunda-feira. Também será necessário ter nessa data todo um grupo que assegure o trabalho na praia, seja de limpeza ou de apoio aos utilizadores”, refere.

A contratação de nadadores/salvadores é, de resto, fundamental para todos os empresários que trabalham nas praias. “Sem eles não podemos trabalhar. São fundamentais no verão, porque este é um trabalho sazonal, mas também deviam existir durante todo o ano, pois como diz a presidente da câmara de Almada, seria bom ter as praias abertas durante 12 meses”, afi rma Acácio Barradas. “O problema é que durante o inverno a autarquia cede apenas uma carrinha e dois nadadores/salvadores. Existe uma frente de praias de 4,5 quilómetros e, naturalmente, esse não é o número desejável de pessoas para assegurar a segurança de todos os frequentadores. Se há um problema numa ponta e depois surge um caso no extremo oposto, nem sequer há tempo para tentar qualquer salvamento. Para que funcionasse era necessário seguir o exemplo da câmara de Cascais, que tem época balnear durante todo o ano e assegura todos os meios humanos”, acrescenta.

Em 2025, nas praias da Costa da Caparica, os nadadores/salvadores fizeram mais de 500 intervenções, não se tendo verificado qualquer óbito durante a época balnear. Este ano, ainda com a época fechada, há a registar, em abril, uma morte por afogamento de um jovem de 17 anos.

Um nadador custa 5.000 euros

Cada nadador/salvador custa a cada concessionário cerca de 5.000 euros por época balnear. É um valor ao qual se tem ainda de acrescentar os custos das refeições fornecidas.

Com um ordenado médio mensal que pode oscilar entre os 1.300 e os 1.500 euros, esta é, no entanto, uma atividade para a qual é “muito difícil” arranjar pessoal.

“O grande problema é que a atividade de nadador/salvador não é uma profi ssão. É apenas algo que se faz sazonalmente e que obriga a certifi cação. Nenhum jovem que já tem o seu emprego o vai largar para vir para as praias durante três meses”, diz Acácio Barradas.

O concessionário contactado pelo Semmais explica que atualmente são os brasileiros e os portugueses aqueles que trabalham como salvadores em maior número.

“Também há outros rapazes sul-americanos, nomeadamente argentinos e venezuelanos, mas a maioria são portugueses a brasileiros”, refere, salientando que os nacionais são, muitas vezes, estudantes universitários que aproveitam o verão para ganhar algum dinheiro.

Obter a certificação de nadador/salvador pode custar entre 180 e 250 euros, dependendo da entidade formadora. Cada curso é de 150 horas e para se frequentar o mesmo é necessário ultrapassar alguns testes físicos, tais como correr 2.400 metros até 14 minutos, nada 100 metros até 1.50 minutos, nadar debaixo de água por um período mínimo de 20 segundos ou recolher dois objetos a uma profundidade mínima de dois metros.