Estão disponíveis meios aéreos, terrestres e também, na fase mais crítica, mais de 300 bombeiros. Há equipas especializadas em preparação desde 15 de maio. Existe, contudo, a preocupação por não existirem máquinas de rastro em número suficiente.
A época mais crítica dos incêndios florestais está à porta e, na península de Setúbal, há preocupações acrescidas. O reforço de meios humanos e equipamentos é uma realidade anunciada. A ideia principal é reduzir os meros 79 hectares que arderam no ano passado. A articulação do serviço sub-regional de proteção civil com alguns concelhos tem vindo a ser aprofundada. Zonas como o Parque Nacional da Arrábida ou as diversas matas nacionais inspiram as maiores preocupações.
“Temos especiais preocupações com o Parque da Arrábida, a Mata dos Medos, a Mata da Machada e o Parque de Alambre”, disse ao Semmais o comandante Miguel Silva, principal responsável pela Sub-Região de Setúbal da proteção Civil. “É um facto que existe um reforço de meios humanos e materiais e isso tem muito a ver com a pretendida melhoria que se quer em relação ao ano passado”, acrescentou.
A melhoria aludida passa, sobretudo, por reduzir a área ardida em consequência de 502 ocorrências registadas, mas também em melhorar os índices de sucesso, que em 2025, se cifraram em 99,19 por cento relativamente ao ataque inicial aos sinistros. “De todas as ocorrências, apenas quatro não foram resolvidas nos primeiros 90 minutos”, disse Miguel Silva. No ano transato, de acordo com os bombeiros, arderam na península apenas 79 hectares.
Apesar das perspetivas otimistas, os responsáveis dos bombeiros, que trabalham diretamente com as câmaras municipais e as autoridades policiais, não esquecem algumas especifi cidades que, na sua opinião, podem ser determinantes nos resultados fi nais. “As superfícies estão cheias de combustível”, lembrou o responsável da Sub-Região de Proteção Civil de Setúbal, aludindo ao facto de as tempestades atmosféricas de fevereiro terem deixado grandes marcas nas áreas florestais e de as operações de limpeza ainda não terem sido completadas. “É verdade que temos contado com equipas de intervenção permanente durante todo o ano, assim como temos contado com o trabalho especial das equipas de combate a incêndios rurais, mas há sempre um conjunto de imponderáveis que se coloca, e a massa combustível acumulada à superfície é sempre um motivo de preocupação acrescida”, adiantou.
Mais homens, mas faltam máquinas de rastro
O combate aos incêndios florestais tem sido encarado, desde o início do ano, como uma prioridade para todos os nove concelhos da península de Setúbal. Miguel Silva diz que são frequentes as reuniões com várias autarquias, nomeadamente com as que têm maiores áreas florestais, e que também tem vindo a ser explicado qual o efetivo à disposição em todo o território.
“Numa primeira fase, que se iniciou no dia 15 de maio, contamos com 54 equipas, igual número de viaturas e 266 operacionais. Estes números irão, no entanto, ser reforçados. O que se prevê é que, entre 1 de julho e 30 de setembro, que é considerada a fase mais crítica, possamos ter à disposição 63 equipas, 304 operacionais e 66 veículos”, disse o responsável da Sub- -Região de Proteção Civil.
“Atualmente dispomos, comparativamente ao ano passado, de um reforço de 28 equipas, 114 elementos e 28 veículos. Além disso, relativamente aos meios aéreos, também temos à disposição, desde 15 de maio, um helicóptero bombardeiro ligeiro, que se encontra estacionado na Base Aérea nº 6, no Montijo. A partir de 1 de junho teremos ainda a possibilidade de recorrer a um outro helicóptero estacionado em Grândola e, se for caso disso, a outro que está em Mafra. Existe, de facto, um reforço das condições comparativamente ao ano passado”, acrescentou Miguel Silva.
No plano de atividades que a Sub-Região de Proteção Civil apresentou no dia 26 está expressa, no entanto, uma preocupação que os bombeiros entendem ser determinante no combate aos incêndios rurais. “Há uma falta de máquinas de rastro em toda península de Setúbal. Este é um equipamento fundamental, mas que continua a ser muito escasso”, disse o comandante Miguel Silva, lembrando que o material normalmente utilizado é propriedade das câmaras municipais. “É um constrangimento, porque os municípios não possuem um número de máquinas em quantidade e porque isso nos obriga, com alguma frequência, a recorrer a entidades particulares”, alertou.






