Antiga estação do Barreiro espera transformação há oito anos

Estacao ferroviaria barreiro

Pensado como espaço de comércio, alojamento, cultura, comércio e lazer, os 32 mil metros quadrados da gare construída em 1884 continua sem qualquer serventia. IP e imobiliária Mainside fizeram negócio em 2018.

Já passaram oito anos desde que a Infraestruturas de Portugal (IP) e a Mainside, empresas de investimentos imobiliários, chegaram a acordo para transacionar o edifício da antiga estação ferroviária do Barreiro, transformando- -o num amplo espaço comercial, de lazer e também de restauração e hotelaria. Nos últimos anos foi anunciada, em pelo menos duas ocasiões, a intenção de iniciar os trabalhos e a câmara municipal até realizou alguns arranjos exteriores. No entanto, até hoje, nenhum outro trabalho foi executado.

“A indicação que tenho é a de que a Insfraestruturas de Portugal (IP) e a Mainside irão ajustar o contrato. Quanto mais depressa o fizerem, melhor será para a cidade”, sintetizou ao Semmais o vice presidente do município barreirense, Rui Braga, confirmando que este é um projeto que se encontra há muito no papel e que, a ser concretizado, se apresentará como uma mais valia em termos lúdicos, mas também comerciais e de hotelaria.

Ao todo a área a intervencionar pela Mainside (que foi também quem desenvolveu o projeto LX Factory, em Lisboa) é de 32 mil metros quadrados. Em 2018, anunciando o projeto Barreiro-Mar, a imobiliária falava do mesmo como algo capaz de gerar “novas dinâmicas e percursos”, anunciando mesmo a criação de um bosque de bambu a plantar numa zona de “passeio e bem-estar”. a empresas referia-se ainda aquele espaço como uma zona destinada ao passeio, à restauração e à cultura, havendo mesmo uma área destinada a concertos e exposições. A recuperação da doca fl uvial, a poucos metros do antigo edifício ferroviário, era outra das intenções anunciadas.

Dois anos mais tarde a Câmara do Barreiro, anunciando um investimento na ordem dos 700 mil euros, iniciava alguns arranjos exteriores, nomeadamente em passeios e rodovias, espaços verdes, mobiliário urbano, sistemas de rega, drenagem pluvial e iluminação pública. Faltou, contudo, que a Mainside desse início à construção das áreas de hotelaria, comércio e restauração prometidas.

Essa mesma promessa veio, há dois anos, a ser reafi rmada. A empresa, que o Semmais tentou contactar sem, no entanto, obter qualquer resposta, anunciou que iria transformar as velhas carruagens da CP ali abandonadas em alojamentos, mas também em lojas e ateliers de trabalho. Até hoje nada foi concretizado.

O nosso jornal procurou ainda obter mais informações junto da IP que, contudo, não respondeu a nenhuma das questões colocadas.

A antiga estação da CP encerrou em 2008 e ao seu lado foi construída a nova infraestrutura ferroviária. Desde então o edifício tem vindo a ser utilizado como armazém.