Há símbolos que dizem mais sobre um país do que longos discursos. O Dia de Portugal é um deles.
Ao longo da sua história, Portugal poderia ter escolhido celebrar-se através de uma batalha, de uma vitória militar ou de um qualquer episódio de afi rmação bélica. Não o fez. A República consagrou o 10 de Junho como Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. E fez bem.
Num tempo em que tantas identidades nacionais se construíram à volta da guerra, Portugal escolheu um poeta. Escolheu a língua em vez da espada, a cultura em vez do conflito, a memória literária em vez da glorificação militar. Não se trata de negar a História, nem de esquecer os momentos decisivos que moldaram o país. Trata-se, antes, de compreender que a verdadeira dimensão de uma nação não reside apenas nas batalhas que venceu, mas também nas palavras que deixou ao mundo.
Camões representa muito mais do que um escritor. Representa uma língua falada por milhões de pessoas em vários continentes, uma herança cultural que atravessa séculos e uma forma de estar que reconhece na cultura um dos seus mais sólidos alicerces. Ao escolhê-lo como referência maior do Dia de Portugal, o país afirmou uma ideia de patriotismo serena, aberta e civilizacional.
Num mundo cada vez mais marcado pelo ruído, pela polarização e pela exaltação da força, vale a pena recordar a singularidade desta escolha. O principal dia nacional português não celebra uma guerra. Celebra um poeta.
E isso diz muito de quem fomos, de quem somos e, sobretudo, de quem aspiramos continuar a ser.



