Inês de Medeiros, para quem ainda não sabe, trata-se da Presidente da Câmara Municipal de Almada, aquela que ao fim de dois mandatos completos e um ano do terceiro mandato, prefere continuar a culpar todos à sua volta pela falta de água no seu concelho, desde comparar com crises como aconteceu no Algarve em 2023, devido a uma seca extrema e a falta de água nas barragens, isto num ano que foi o das maiores chuvadas de todos os tempo (só ridículo), até ao aumento da população (como se a população aparecesse do nada e ela não conhecesse os números), passando pelo aumento exponencial nas férias (como se a Costa de Caparica não fosse o destino de férias de turistas e de toda a zona da AML), enfim, esquecendo-se que se tivesse planeado, olhem, apenas aquilo que a ministra fez num dia e ao fim de uma semana tinha um furo a mais e metade do problema ficou resolvido com uma visita, mostrando à saciedade a incompetência de quem gere os destinos do concelho de Almada.
Sim, a água já jorra nas torneiras. Não em todas, não sempre, mas já jorra e infelizmente continua a jorrar nas ruas, nos bairros clandestinos, em muitas casas não ligadas à rede pública, num desperdício em números que são os mais altos de todo o País quase a rondar os 40%.
Sim eu sei, vão-me mandar falar dos exames e do ministro da educação e o contraste entre a governação nacional e a gestão autárquica em Portugal costuma deixar claro quem está a tentar reestruturar sistemas complexos a longo prazo e quem se vê grego para resolver problemas básicos de infraestrutura.
Atualmente, o país assiste a dois cenários políticos opostos que ilustram bem esta diferença: de um lado, o Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, a braços com uma reforma profunda e cheia de obstáculos no setor do ensino; do outro, a Presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, cuja gestão da recente crise da água expôs falhas graves de planeamento, resolvidas apenas com a intervenção direta da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
O Ministério da Educação e a Espinhosa Reforma do Ensino – Conduzir o Ministério da Educação em Portugal é, historicamente, um dos trabalhos mais ingratos do Executivo. O ministro Fernando Alexandre herdou um sistema desgastado por anos de descontentamento da classe docente, problemas crónicos de falta de professores e um processo complexo de transição digital e exames nacionais.
Os obstáculos que enfrenta são de ordem estrutural e corporativa: Recuperação do tempo de serviço: Negociar com os sindicatos sem comprometer o equilíbrio orçamental do país, com aspectos como o Aparato Digital: Lidar com as falhas e a contestação em torno das provas em formato digital e dos exames nacionais o Envelhecimento da Classe Docente: Atrair novos jovens para a carreira docente perante condições de atratividade muito baixas.
Ao contrário de outras pastas, na Educação as reformas não produzem efeitos imediatos. Exigem planeamento rigoroso, diálogo constante e resiliência perante o escrutínio diário da comunidade escolar.
Já Almada e a Crise da Água comprada com a crise nos exames leva-nos a concluir que “Se no Ministério da Educação o trabalho é de fundo, na Câmara Municipal de Almada a realidade recente foi de gestão de crise reativa”.
No verão de 2026, Almada enfrentou uma grave crise no abastecimento de água, que levou ao corte do serviço em várias freguesias e ao encerramento de piscinas municipais. A reação inicial da autarca Inês de Medeiros passou por desvalorizar o problema, classificando-o como um “fenómeno absolutamente excecional” de consumo e chegando a afirmar que a Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, estava “mal informada”. Contudo, os dados e a tutela do Ambiente confrontaram a autarquia com a realidade: Falta de Investimento: A Ministra do Ambiente responsabilizou diretamente a Câmara de Almada e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) pela crise, apontando a falta de investimento na renovação da rede ao longo dos anos. Desperdício Elevado: Revelou-se que Almada tem perdas de água na rede na ordem dos 35%, um valor significativamente superior à média nacional. A “Salvação” Central: Apesar das trocas de acusações e da resistência da autarca em assumir as falhas municipais, a resolução do problema a curto prazo acabou por depender da ajuda do Ministério do Ambiente, que viabilizou a abertura urgente de novos furos de captação de água, para normalizar a situação da população. O Sentimento de Ingratidão: Para muitos munícipes e observadores políticos, a postura de Inês de Medeiros ao longo deste processo roçou a ingratidão. Após criticar publicamente a tutela, a presidente da Câmara acabou por ver o seu concelho “salvo” por soluções estruturadas e financiadas com o apoio do Governo central, sem que tenha havido uma assunção clara de responsabilidades locais pelas décadas de desinvestimento na rede de águas.



