Transtejo/Soflusa investiu mais de sete milhões em reparações desde outubro

Rui rei

Empresa responsável pela travessia de passageiros entre as duas margens do Tejo acredita estar a recuperar a confiança dos utentes. As ligações Barreiro-Seixal e Almada-Algés são apontadas como passos importantes na resposta às necessidades de mobilidade.

A Transtejo/Soflusa estima ter investido mais de sete milhões de euros em reparações de embarcações desde o final de outubro, com o objetivo de recuperar a frota e responder à crescente procura nas ligações entre as margens sul e norte do Tejo.

O balanço dos investimentos é avançado ao Semmais pelo presidente do Conselho de Administração, Rui Rei, que destaca o esforço da empresa para cumprir as suas obrigações e responder à população, num ano em que celebra o 50º aniversário de atividade. “Estamos a fazer um investimento tremendo e acho que estamos no caminho certo. Acredito que o ponto de viragem aconteceu a 1 de novembro de 2025, 15 dias depois de entrarmos na empresa, quando passámos a cumprir o contrato de serviço público. Passámos a ter seis a sete navios elétricos a operar e mudámos o ritmo da operação. Hoje acredito que conseguimos reforçar a confiança dos clientes, dos trabalhadores e das entidades no terreno”, afirma.

Para o responsável, a recente introdução das carreiras Barreiro-Seixal e Almada (Porto Brandão/Trafaria)-Algés exemplifica o trabalho desenvolvido no território. “Foram decisões tomadas com critério. No caso de Almada-Algés, tínhamos estudos que apontavam Oeiras como concelho recetor de mão de obra vinda da margem sul, em especial de Almada. Os nossos clientes tinham grandes dificuldades em chegar diretamente a Algés. Se reduzíssemos esse tempo de deslocação, as pessoas ficariam satisfeitas. No caso Seixal-Barreiro, tratou-se de recuperar uma ligação que se perdeu e de dar mais oferta àquele território”, explica.

Cerca de 10 milhões de passageiros transportados

Questionado pelo Semmais sobre as carreiras mais procuradas, Rui Rei revela que “a maior operação” parte do Barreiro, seguindo-se Cacilhas. “No geral, estamos em linha de crescimento face ao ano passado, na ordem dos 3 por cento. Até ao momento, transportámos cerca de 10 milhões de passageiros este ano”, sublinha.

Embora esteja ainda em curso um levantamento sobre a confiança da população nos serviços, o presidente acredita que a imagem da Transtejo/Soflusa melhorou, apesar de desafios como a reparação contínua das embarcações e o reforço do quadro de pessoal. “Foi importante demonstrar aos utentes, mas também aos trabalhadores, que estávamos dispostos em fazer algo transformador. Reduzimos as supressões e passamos uma mensagem aos utentes de que estamos cá para prestar um serviço em condições. Ainda estamos numa fase difícil, existem desafios, mas estamos todos a remar para o mesmo lado”, acrescenta.

Com 21 das 30 embarcações da frota em operação, das quais oito dos 10 elétricos, Rui Rei destaca a importância do investimento nos transportes públicos neste território, cada vez mais denso a nível populacional. “Se queremos resolver os problemas de mobilidade na área metropolitana, tem de ser com maior utilização dos transportes públicos. Para isso, estes têm de servir as pessoas, para que elas possam optar por eles”, conclui.