Três parques, um só objetivo: tornar as cidades mais frescas e resilientes

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Setúbal, Palmela e Sesimbra têm em comum mais do que a paisagem da Arrábida: os três municípios estão a reinventar espaços verdes urbanos com o apoio do projeto europeu INFIRE (Interreg Euro-MED), coordenado localmente pela ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida. O objetivo é simples de enunciar e ambicioso de concretizar: usar soluções baseadas na natureza para combater as ilhas de calor, reforçar a biodiversidade e preparar o território para um clima cada vez mais exigente.

Em Setúbal, a intervenção incide sobre a envolvente da Ribeira da Figueira, no Parque da Algodeia, numa área de 1,7 hectares. O plano prevê o reforço da vegetação existente e a plantação de espécies como o bordo-campestre, o freixo-de-folhas-estreitas, o pinheiro-de-alepo ou o carvalho-português, criando corredores verdes e áreas sombreadas ao longo da ribeira. Uma das soluções mais originais do piloto é a instalação de iluminação “amiga da biodiversidade”: os candeeiros ajustam automaticamente a cor e a intensidade da luz ao longo da noite, passando a luz vermelha nos meses quentes — uma cor que a maioria dos insetos não deteta — para proteger a fauna noturna sem comprometer a segurança de quem usa o espaço.

Em Palmela, no âmbito do projeto Pinhal Novo Verde, o piloto segue a mesma lógica de reforço das zonas verdes urbanas com a manutenção de um prado biodiverso, criando um horto botânico na zona de Val’Flores com a instalação de canteiros com plantas de espécies autóctones, bem adaptadas ao clima local e que irão também amortecer o impacto sonoro e visual das vias ferroviária e rodoviária próximas a esta zona de 0,4 hectares.

Em Sesimbra, a iniciativa incide no maior espaço verde urbano da Quinta do Conde, o Parque da Vila, uma área de 2 hectares que faz parte dos espaços verdes de proximidade do Corredor Ecológico da Quinta do Conde. A intervenção promove o conforto bioclimático, a biodiversidade e a sustentabilidade através do incremento de espaços verdes arborizados em corredores e núcleos próximos da população, e da criação de áreas de sombra para combater as ilhas de calor. A plantação de novas árvores de copa larga e folha persistente, como a azinheira, a alfarrobeira ou a bela-sombra, todas autóctones ou bem adaptadas ao clima local e com baixas necessidades de água, garante o ensombramento deste espaço e promove a resiliência urbana.

Nos três casos, o projeto INFIRE vem a reforçar uma clara estratégia municipal de mitigação e adaptação às alterações climáticas, assente numa lógica comum: em vez de recorrer a infraestruturas convencionais, a resposta nasce da própria natureza — com mais árvores, mais sombra e mais espécies autóctones ao serviço do conforto térmico, da biodiversidade e da qualidade de vida de quem habita o território.

O INFIRE – INnovative FInancing solutions for climate planning of REsilient and carbon neutral living areas é cofi nanciado pelo programa Europeu Interreg Euro-MED, e é desenvolvido pela ENA em parceria com um consórcio internacional dedicado à adaptação climática e à neutralidade carbónica das áreas urbanas do Mediterrâneo.