O ICNF prevê o abate e captura de 20 a 30 por cento dos mais de 2.000 exemplares que ocupam a região. Os ataques a terrenos agrícolas são mais antigos e preocupantes do que as incursões nas praias e jardins de Setúbal.
A operação de controlo de javalis na Serra da Arrábida vai iniciar-se em setembro. O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) pretende eliminar entre 20 a 30 por cento dos cerca de 2.000 exemplares que se estima existirem na região. A contas com invasões diárias na cidade de Setúbal e nas praias, os responsáveis governamentais garantem, no entanto, que os principais prejuízos têm sido registados nas áreas agrícolas, havendo “muitas dezenas” de pedidos de auxílio e inúmeras culturas destruídas.
Em declarações ao Semmais, o diretor regional do ICNF, Carlos Albuquerque, confirmou a necessidade de se abaterem e capturarem algumas centenas de animais de modo a impedir a completa destruição das culturas agrícolas: “Temos inúmeras queixas. Na zona de Vale de Barris, por exemplo, há ocorrências em grande quantidade. Muitas pessoas falam apenas nas incursões dos javalis na Luísa Todi (Setúbal) ou nas praias, mas esquecem que os problemas que agora se verificam nessas áreas já há muito que afetam a agricultura. Muito antes de chegarem à cidade e às praias, já os javalis causaram graves problemas nos campos de cultivo”.
O controlo dos animais, cujo abate é, em todo o país, autorizado durante todo o ano, far-se-á mediante o pedido de associações de caçadores ou outras entidades licenciadas para o efeito. Carlos Albuquerque diz que irão realizar-se batidas, mas também irão ser colocadas armadilhas (gaiolas) para capturar exemplares vivos. “Não é ao ICNF que compete ir bater à porta dos caçadores, pedindo-lhes para abaterem os animais. Aguardamos que os interessados nas batidas nos solicitem os selos (cada um corresponde a um javali). Neste momento até já recebemos contactos de uma associação de caçadores espanhola”, diz.
Estima-se a existência de cerca de 3 mil animais
“O que posso garantir é que no final da época cinegética o número de javalis abatidos na zona da Arrábida será bem mais elevado do que foi registado no ano passado. O problema é real e o controlo da espécie é indispensável. Pelas minhas contas, a partir de setembro, quando as operações de controlo já não interferirem tanto no turismo, terão sido abatidos entre 20 a 30 por centos dos animais que agora estimo serem na ordem dos 2.000 a 3.000”, acrescenta.
“Não se pense que é intenção do ICNF acabar com a espécie na região. Nem pensar. Nós queremos que os visitantes possam ver os animais na serra, mas não podemos deixar que se multipliquem ao ponto de causarem prejuízos e colocarem em risco a vida das pessoas”, adianta ainda Carlos Albuquerque, lembrando que a espécie aumentou em muito o seu número a partir da pandemia de covid, em 2019.
O diretor regional do ICNF refere«iu também que se reuniu recentemente com a atual responsável autárquica de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, tendo ambos abordado a necessidade de conterem o avanço dos animais pelas ruas e jardins da cidade: “É obrigação de todos tomar as medidas necessárias para dissuadir os animais de irem para as áreas urbanizadas. Isso passa, por exemplo, por cuidados a ter com os caixotes do lixo, não os deixando ao alcance dos javalis e, se necessário for, adquirir outros que sejam mais eficazes. Ninguém deve alimentar os javalis, mas também é preciso ter em conta que se tratam de animais selvagens e que podem tornar-se agressivos quando são encurralados e se sentem ameaçados. A ideia romântica dos javalis nas praias, algumas vezes a agirem com as pessoas, não é a ideia de segurança que deve ser transmitida”.
Também a autarca setubalense, num depoimento escrito enviado ao nosso jornal, confirmou o encontro. “Ficou acordado que o ICNF irá identificar os pontos de acesso dos animais, à praia e à cidade, para fazer o devido controlo populacional. Contará com o apoio da Câmara para levar a cabo esta medida, em particular na identificação desses acessos”, diz Maria do Carmo Tiago.






