Alguns sócios contestam o contrato apresentado pela direção destinado a consolidar a parceria o principal patrocinador do clube. Apontam desequilíbrio, falta de força estatutária e irregularidades.
O reforço da relação entre o Vitória FC e a Tavfer está a gerar contestação no universo sadino. Na última Assembleia Geral, realizada no fim de julho, a ratificação do contrato de parceria foi retirada de votação após um requerimento de sócios que consideravam o documento prejudicial ao clube.
Questionado pelo Semmais, Francisco Alves Rito defende o acordo com a Tavfer e garante que a direção estava em “plenos direitos” para o celebrar, depois de os sócios terem aprovado, em maio, a negociação do reforço da parceria, incluindo o projeto imobiliário no Vale do Cobro. O presidente considera o contrato “muito importante” por permitir pagar a dívida à Autoridade Tributária, reforçar o plano de insolvência, liquidar a hipoteca de 2,7 milhões sobre os terrenos do Vale do Cobro e assegurar financiamento a médio prazo para a atividade desportiva. Alves Rito garante ainda que o acordo é “válido e está em vigor” e que foi apresentado para ratificação por “uma questão de transparência”.
Perspetiva diferente tem Fernando Belo, candidato nas últimas eleições e primeiro subscritor do requerimento que retirou o contrato da votação na última reunião magna. Além de questionar a legitimidade estatutária do contrato, que considera desequilibrado, aponta a irregularidade na questão desportiva, aludindo à alegada ingerência de terceiros na gestão desportiva do clube. “O Vitória vai levar isso a ratificação sabendo que não é permitido pela Federação Portuguesa de Futebol e isso vai acarretar consequências negativas. Só se preocuparam com a parte imobiliária e ignoraram o problema desportivo. Podemos ser fortemente penalizados”, diz ao Semmais.
O “Movimento Pró Vitória” também contesta a legitimidade da atuação da direção e diz que o acordo, tal como está, “não pode avançar”. “Sem os sócios, isto não pode concretizado. Popusemos soluções e ratificações e o presidente afirmou que o contrato vai voltar a ser votado assim como está. Não podemos aceitar”, afirma o sócio João Godinho.
Também o grupo “Vitória Sempre” questiona o processo, sustentando em comunicado que a direção “não tem poderes, nem legitimidade, para celebrar um acordo de parceria para o futebol”.
Caso venha a não ser ratificado o acordo, Alves Rito assume que a empresa pretende avançar com a ameaça de romper a parceria com o clube. A Tavfer, por escrito, afirmou ter sido alvo de “afirmações lesivas da sua imagem e do seu bom nome” e sustenta que que o contrato procurava “estabelecer um equilíbrio entre o investimento realizado e os riscos associados” e que, até ao momento, o apoio prestado aos sadinos foi “totalmente altruísta”.
Entretanto, já após a publicação desta peça na nossa edição impressa, o presidente da Assembleia Geral do Vitória FC, Rui Chumbita Nunes assinou a convocatória para nova reunião magna sadina, desta feita marcada para 17 de setembro.
De acordo com a nota emitida pelo emblema setubalense, a Assembleia Geral tem três pontos da ordem de trabalho: “Ponto Um – Votação de moção proposta pela Direção; Ponto Dois – Votação da ratificação do contrato de parceria com o Grupo TAVFER; Ponto Três – Outros Assuntos.






