Os últimos meses têm sido de muito trabalho em Alcácer do Sal. Depois das semanas traumáticas das cheias, em que foi necessário dar uma resposta imediata às pessoas, para as suas necessidades mais básicas, o Município tomou nas suas mãos a reconstrução da cidade e demais áreas afetadas, num esforço partilhado com centenas de alcacerenses, que recuperaram as suas casas e reergueram os seus negócios. Os resultados desta ação estão à vista.
Tivemos, da parte da Administração Central, uma primeira abordagem rápida e eficaz coadjuvando a nossa ação conjunta com outras entidades, procurando agilizar processos e encurtar burocracias. Beneficiámos, igualmente, de uma grande onda de solidariedade, que fez a diferença.
Desde a primeira hora, o Município multiplicou-se em contactos com o intuito de chamar a atenção para a situação de enorme dificuldade que as nossas gentes estavam a atravessar, aproveitando igualmente todas as visitas de governantes para demonstrar a urgência de medidas que apoiassem os que tudo perderam e também a própria autarquia. Ao todo, foram contabilizados mais de 100 milhões de euros em prejuízos, 80 dos quais correspondem a danos municipais.
São números avassaladores, especialmente se tivermos em conta que o orçamento da Câmara de Alcácer do Sal se situa nos 55 milhões e que todos os serviços que prestamos às populações se mantêm. Mais grave ainda, se pensarmos que os negócios afetados são sobretudo micro e pequenas empresas, que representam praticamente todo o tecido económico da zona baixa da cidade.
Era urgente preparar Alcácer para que, no verão, pudéssemos receber condignamente quem nos visita e repor parte do investimento que os comerciantes fizeram, sobretudo com poupanças e recorrendo ao crédito. Segundo dados do Governo, o concelho já recebeu cerca de 20 milhões de euros. Na autarquia entraram, efetivamente, pouco mais de 4 milhões provenientes do Estado, que agradecemos e já convertemos em obra planeada, executada e em execução.
Fundo Ambiental 2.1 milhões €
Fundo de Emergência Municipal 603.389€
CCDR-A 900.000€
Dir. Geral Autarquias Locais 974.079€
Fomos resilientes e o esforço compensou. Nos últimos meses, recebemos milhares de turistas, que puderam participar nas múltiplas iniciativas que preparámos, provaram a nossa gastronomia em espaços renovados e verificaram que nos estamos a reerguer.
Mas, há ainda muito para fazer. Quem está no terreno nunca está satisfeito com a velocidade a que as coisas se resolvem. Tratámos de lançar obras o mais rapidamente possível, de limpar e refazer o que havia sido destruído pelas águas. Temos ainda serviços desalojados e zonas da cidade que carecem de intervenção. Cá estaremos, como sempre, para levar esses projetos por diante. Não nos limitaremos a repor o que antes existia. Estamos a trabalhar para o futuro, para que a nossa cidade seja ainda mais bela, forte e preparada para qualquer adversidade. Para assegurar qualidade de vida aos de cá e atrair novos moradores. Queremos, igualmente, que quem nos visita sinta vontade de regressar.
Sacudir a água do capote nunca foi a nossa política. Antes, vestimos o capote e calçámos as galochas para, junto das pessoas, fazer o que é preciso. Precisamos de continuar a contar com todos, principalmente o Governo, para apoiar este percurso.
Assumimos responsabilidades, tomamos decisões e trabalhamos, todos os dias, para as executar. Esta foi sempre a nossa forma de atuar e continuará a ser.
Só não percebe isso quem está fechado nos gabinetes e desconhece a realidade do País.
Clarisse Campos – presidente da câmara de Alcácer do Sal



