Em 2025 morreu uma pessoa a cada dez diasem consequência de acidentes no distrito

Acidente

Distrito registou 36 vítimas mortais. Colisões e despistes são as principais causas das mortes. Este ano, em apenas seis meses, já morreram seis motociclistas. Na península reclama-se do trânsito, no Litoral as queixas são sobre o mau estrado das vias.

Em 2025, no distrito de Setúbal, morreu uma pessoa a cada dez dias em consequência de acidentes de viação ou atropelamentos, um número que colocou a região, à semelhança de outros anos, entre as de maior mortalidade no país. Este ano, nos primeiros seis meses, em consequência de sinistros com motos, já morreram seis pessoas. Despistes e colisões são as principais causas apuradas pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

A consulta aos dados estatísticos mais recentes da ANSR, relativos ao ano transato, dão conta de 2.886 acidentes no distrito, o que corresponde a mais cinco do que os verificados um ano antes. Também os números de mortes (31 contra 36), feridos graves (206 contra 229) e feridos ligeiros )3272 contra 3425) aumentaram. “Podem existir vários fatores que expliquem a crescente sinistralidade, seja em Setúbal seja no resto do país”, explicou um responsável da GNR contactado. “O mau estrado de algumas vias pode explicar alguns acidentes, mas a verdade é que a maior parte das ocorrências com mortes e feridos graves ocorre, normalmente, em consequência de despistes e colisões, o que pode significar que, por vezes, se tenha verificado excesso de velocidade ou incumprimento de outras regras”.

Fazendo uma análise dos locais com vítimas mortais ocorridas em 2025, concluiu-se que apenas dois concelhos escaparam (Sines e Alcochete). No plano oposto encontram-se Palmela, com 11 vítimas mortais resultantes de dez acidentes graves, Setúbal e Seixal (cada qual com cinco em cinco) e Grândola) quatro em quatro). Sesimbra, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém e Almada tiveram, cada um, dois acidentes em que perderam a vida, no total, duas pessoas. Já na Moita, Montijo e Sines houve notícia de apenas um sinistro em cada com uma vítima.

“Não podemos especular que os acidentes ocorrem com mais frequência em determinados concelhos do que noutros. O estado de conservação das vias é, muitas vezes, determinante. Mas as condições climatéricas também o podem ser e, no entanto, mais de 80 por cento dos acidentes ocorrem com bom tempo e apenas cerca de 17 por cento se devem à chuva. Mais preocupante será o facto de, na totalidade do país, cerca de 55 por cento dos sinistros terem origem no excesso de velocidade e um pouco menos terem resultado de colisões”, referiu ainda a fonte da GNR contactada pelo Semmais.

No ano passado, tendo apenas como referência os acidentes com mortos ocorridos no distrito, concluiu-se que 11 foram resultado de despistas. Já as colisões estiveram na origem de 17 acidentes, dos quais resultaram e 18 vítimas mortais. No mesmo período foram também registadas sete vítimas mortais em consequência de atropelamentos.

Acidentes de moto já mataram seis pessoas

Já este ano, no primeiro semestre, a GNR registou no distrito 340 acidentes envolvendo motociclos. Dos mesmos resultaram seis mortos, número idêntico ao contabilizado em Aveiro, com mais uma vítima dos que ocorreram no distrito do Porto e apenas suplantado por Santarém (oito falecidos) e faro (sete).

O nosso jornal contactou também duas comissões de utentes de transportes nos concelhos da península de Setúbal e do Litoral Alentejano. No primeiro caso a responsável local, Aurora Almeida, referiu que mesmo não havendo uma contabilidade oficial relativa à sinistralidade rodoviária, os números da ANSR “mostram que existe, sem dúvida alguma, um excesso de automóveis em circulação”. Já Dinis Silva, reportando-se aos concelhos alentejanos, aponta para as más condições das estradas: “No IC1, entre Palmela e Alcácer do Sal, há 14 quilómetros de estrada que aguardam reparação há 15 anos. A nacional 253, entre a Comporta e Montemo-o-Novo está cheia de buracos, o mesmo se passa na 120, entre o Cercal do Alentejo e Santiago do Cacém. São estradas muito sinuosas e por onde circulam muitos pesados transportando matérias perigosas. Zonas onde os acidentes e os estragos são constantes”.