Espetáculo, inspirado na “Ode Marítima” de Fernando Pessoa, conta com texto de Gonçalo M. Tavares e conceção musical do maestro Jorge Salgueiro.
A ópera comunitária “Ode ao Mar e aos Noivos” estreia este sábado, em Setúbal, numa produção da Associação Setúbal Voz que homenageia os pescadores e a ligação da cidade ao mar. Apresentada ao ar livre, na Doca dos Pescadores, a obra reúne música, dança e elementos da comunidade, com uma embarcação a integrar a ação cénica.
Inspirado na “Ode Marítima”, de Fernando Pessoa, o texto foi escrito por Gonçalo M. Tavares a convite da associação. Segundo a sinopse do espetáculo, a narrativa acompanha João e Tobias, dois pescadores que são surpreendidos por uma tempestade. As respetivas companheiras, um capitão, uma mulher sábia e um louco, arriscam a vida para os salvar, com o resgate a culminar com a celebração dos dois casamentos a bordo.
“O objetivo principal era fazer um espetáculo ao ar livre, junto ao mar, que homenageasse os pescadores”, explica ao Semmais o maestro e compositor Jorge Salgueiro. Para o diretor artístico, a produção deverá também afirmar elementos característicos da cidade: “Gostava que fosse um marco da identidade de Setúbal, divulgasse a sua atividade piscatória e homenageasse os pescadores”.
Considerado pelo criativo como “um dos espetáculos mais ambiciosos” concebidos pela Associação Setúbal Voz, esta ópera atribui particular importância à dança. A coreografia de Iolanda Rodrigues envolve elementos da Noisy Crew e da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal, aos quais se juntam participantes que aderiram voluntariamente ao projeto.
Música contemporânea e próxima do público
Na composição, o maestro procurou uma “música de charneira”, conciliando uma linguagem contemporânea com a proximidade ao público. “Não é uma música difícil de ouvir, acho que é bastante sedutora”, sustenta.
Em cena estarão ainda músicos ao vivo e cantores da Companhia de Ópera de Setúbal, com quem mantém uma relação continuada. “Temos uma confiança mútua que nos permite trocar opiniões durante o processo de criação. As ideias são minhas, mas depois, na prática, eles dão os seus contributos”, conta.
O local escolhido também assume um papel importante na conceção cénica. Uma embarcação integra a narrativa, atracando e zarpando durante a representação, enquanto outros barcos estarão envolvidos na produção. A vertente visual está a cargo de Maria Madalena e Vitor Hugo Rodrigues.
Depois da estreia, Jorge Salgueiro pretende que “Ode ao Mar e aos Noivos” possa regressar todos os anos. “Gostava que fosse um evento cíclico, que se fizesse uma vez por ano e que fosse, digamos, uma imagem do turismo e da cultura de Setúbal”, afirma.
A possibilidade de levar a obra a outros concelhos permanece em aberto e será discutida com o município.






