O projeto europeu PICITYF testou mais de 50 soluções inovadoras em Évora e Alkmaar, nos Países Baixos, e demonstrou que “a transição energética pode coexistir com a preservação do património histórico”, concluiu a EDP, líder da iniciativa.
“A transição energética e a preservação do património histórico não têm de ser objetivos incompatíveis”, referiu a EDP, em comunicado, assinalando o término do projeto, cujas conclusões e resultados estão a ser apresentadas em Évora, desde terça-feira e até hoje.
Segundo o coordenador principal do projeto, João Cravinho, citado no comunicado, “a principal mensagem do POCITYF é que a inovação e a preservação do património podem andar lado a lado e contribuir para o mesmo propósito”.
E, continuou o engenheiro de pesquisa e inovação da EDP, ao serem testadas soluções em contexto real, numa cidade histórica como Évora, foi possível demonstrar “que é possível construir o futuro sem descaracterizar o passado”.
Financiado pela União Europeia, através Programa Horizonte 2020, o POCITYF (POsitive Energy CITY Transformation Framework) contou com 48 entidades parceiras de 13 países europeus, como autarquias, universidades e empresas.
A iniciativa, lançada em setembro de 2019 em Évora, teve como objetivo implementar soluções de energia, mobilidade e digitalização urbana nesta cidade alentejana e neerlandesa de Alkmaar.
Segundo a EDP, o projeto termina “após testar mais de 50 soluções inovadoras” nas duas cidades-piloto e deixa “um legado de conhecimento e boas práticas para apoiar outras cidades históricas europeias no caminho para a neutralidade climática”.
Ao longo da implementação, continuou a empresa portuguesa, procurou-se “demonstrar como cidades com fortes restrições patrimoniais podem avançar para a neutralidade climática através de abordagens integradas e replicáveis”.
As mais de 50 soluções testadas enquadram-se em quatro áreas principais: edifícios e bairros energeticamente positivos, gestão inteligente de energia e armazenamento, integração da mobilidade elétrica e plataformas digitais para cidades inteligentes.
Sistemas fotovoltaicos integrados em edifícios, como telhas e vidros, comunidades de energia, baterias térmicas e eletroquímicas, plataformas de gestão energética e de flexibilidade e infraestruturas urbanas inteligentes para mobilidade elétrica foram algumas dessas soluções.
No caso de Évora, cujo centro histórico está classificada como Património Mundial da UNESCO, “as soluções foram adaptadas às especificidades do centro histórico, conciliando inovação tecnológica e preservação patrimonial”.
De acordo com a EDP, os resultados apontam para poupanças energéticas médias entre 16% e 20% em Évora e para uma redução estimada de 15% nas emissões de gases de efeito estufa.
O conjunto das iniciativas desenvolvidas pelo consórcio europeu mobilizou “mais de 18 milhões de euros em investimento”, revelou a empresa líder.
Além de Évora e Alkmaar, o projeto trabalhou com seis cidades europeias parceiras na partilha e adaptação das soluções desenvolvidas, contribuindo para acelerar a adoção de abordagens semelhantes noutros contextos urbanos.
Bari (Itália), Celje (Eslovénia), Granada (Espanha), Hvidovre (Dinamarca), Ioannina (Grécia) e Újpest (Hungria) foram as cidades que participaram na replicação e transferência de conhecimento desenvolvido pelo POCITYF, informou a EDP.






