Sustentação da Arriba Fóssil não estará concluída antes do inverno

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Há um projeto da Faculdade de Ciências e Tecnologia para travar derrocadas e deslizamentos de terras. Especialistas de universidade inglesa pedem celeridade para garantir financiamento comunitário de obra que pode ir aos oito milhões.

Os trabalhos de estabilização e sustentação das terras da Arriba Fóssil da Costa da Caparica e em Porto Brandão que a câmara de Almada tem programadas deverão coincidir com o inverno e o período de chuvas intensas. Tal situação está a gerar preocupações entre os moradores da área que foi mais afetada quando, em fevereiro deste ano, se verificaram vários deslizamentos e a destruição de algumas residências.

Um relatório técnico produzido por peritos da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) e ao qual o nosso jornal teve acesso concluiu o que já antes fora anunciado e noticiado: Em Porto Brandão, na Azinhaga dos Formosinhos, a maior parte dos residentes não mais vão voltar a habitar as casas que as tempestades destruíram. Na Costa da Caparica, por sua vez, há casas que também não poderão voltar a ser utilizadas. As vistorias técnicas às habitações afetadas nas duas localidades ainda estão em curso (podem mesmo arrastar-se por mais um mês). Só depois destas estarem totalmente concluídas é que se irá iniciar o processo negocial que prevê indemnizações por expropriação e realojamentos.

A intenção dos técnicos municipais e da FCT é construir, antes da chegada do inverno, as valas de retenção e as barreiras capazes de suster os deslizamentos de terra, de modo a evitar que residências que não foram muito afetadas quando da última invernia, possam agora ficar a salvo. Com um prazo de execução da maior parte dos trabalhos estimado em cerca de cinco meses, uma das primeiras medidas será a demolição das casas que já foram dadas como irrecuperáveis.

Se em Porto Brandão a área interdita à circulação de pessoas e viaturas se circunscreve à Azinhaga dos Formosinhos, já na Costa da Caparica há, pelo menos, quatro arruamentos considerados em risco. São, de resto, os mesmos locais que sofreram maior impacto de terra e rochas em fevereiro. Para essas zonas, para além de barreiras de proteção (com malhas metálicas e pedra) estão igualmente previstas construção de valas que sustenham as águas e a plantação de vegetação capaz de travar a erosão da Arriba.

Corrida contra o tempo para garantir financiamento

Entretanto técnicos de uma universidade inglesa também fizeram estudos por iniciativa própria e concluíram que será possível travar a erosão imediata realizando uma intervenção cujo custo poderá ir dos seis até aos oito milhões. Apesar de convidadas para participarem num workshop realizado a 4 de setembro, no posto de turismo da Costa da Caparica, a câmara de Almada e também à Junta de Freguesia da Costa da Caparica não se fizeram representar.

O workshop promovido pelo Movimento Futuro da Costa teve a participação da Liverpool John Moores University, representada pela engenheira civil e professora catedrática de bio-materiais para infraestruturas, Ana Brás.

“No encontro, que reuniu moradores, comerciantes e muitos outros elementos da comunidade local, a perita da Liverpool John Moores apresentou uma solução de engenharia orientada especificamente para tratar a causa estrutural da instabilidade da arriba por saturação hídrica, complementando as barreiras dinâmicas a instalar pela câmara”, disse ao Semmais um dos ativistas do Movimento Futuro da Costa, Pedro Félix. “Foi formalizada uma declaração de apoio da comunidade à solução apresentada e pedido com carácter de urgência a intervenção da autarquia e da Agência Portuguesa do Ambiente, para que estas entidades iniciem de imediato a recolha de todos os elementos necessários para que os trabalhos possam ser suportados por fundos comunitários. A entrega das candidaturas para o Portugal 2030/Sustentável 2030, encerra a 20 de outubro. Até agora ainda não obtivemos resposta”, acrescentou.

No documento apresentado pela universidade inglesa é referido que a comparticipação europeia para os trabalhos propostos pode atingir os 85 por cento. A comparticipação camarária, partindo do preço de intervenção mais baixo estimado (seis milhões de euros) seria de 900 mil euros. O Semmais pediu à câmara de Almada, na passada semana, que fossem prestados esclarecimentos relativos a algum estudo em curso, os custos de uma possível intervenção e quais as medidas previstas para serem aplicadas ainda antes do início do Inverno. Não foi dada qualquer resposta.