Em Sines, onde está programado um investimento de 700 milhões, dominam as movimentações de contentores, enquanto que na capital de distrito, que fará um investimento de quase 600 milhões, são os carros da Autoeuropa que mais se distinguem.
Os Portos de Sines e de Setúbal estão entre os mais importantes do país, apresentando números que os colocam nas posições cimeiras relativamente à carga contentorizada (Sines) e exportação e importação de automóveis (Setúbal). As perspetivas de ambas as estruturas são de crescimento para o ano que se avizinha. Setúbal tem investimentos previstos que chegam quase aos 600 milhões de euros, ao passo que em Sines deverão ser investidos 700 milhões.
Em declarações ao Semmais, o presidente da administração do porto setubalense, Vítor Caldeirinha, adiantou que, para 2027, existem três grandes projetos a desenvolver em Setúbal na área da movimentação de cargas: “A expansão do parque ro-ro irá permitir que, anualmente, o número de viaturas que por ali passa ascenda de 350 mil para 700 mil. Depois, o terminal Sapec, que será alvo de concessão, terá possibilidade de se expandir, ficando apto a receber todo o tipo de navios que fazem o transporte de granéis. Por fim, com recurso a fundos comunitários, será aumentado o cais ro-ro em 500 metros. A ferrovia do terminal da Autoeuropa chegará à cais da Sapec, numa extensão de três quilómetros”.
Vítor Caldeirinha adiantou ainda que a administração dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, a quem foi delegada a incumbência de lançar o concurso internacional para atribuição da concessão de exploração dos estaleiros navais da Lisnave, está empenhada em valorizar esta empresa, estando prevista a construção de uma oficina que transforme motores de fuel em engenhos a gás natural e metanol. Além disso, a Lisanave ficará com capacidade para construir e fazer a manutenção de embarcações militares e de lançamento de drones. Irá ter também capacidade para fazer o desmantelamento de navios, efetuar trabalhos em plataformas flutuantes e reabilitar navios de cruzeiro.
“O conjunto dos investimentos quase ascende ao 600 milhões de euros (580), destacando-se 300 milhões investidos na Lisnave, 60 milhões no cais da Sapec, 110 milhões na ferrovia, 40 milhões no cais ro-ro e mais 70 milhões para trabalhos noutro cais”, adiantou aquele responsável.
Também em declarações ao nosso jornal, o presidente do conselho de Administração do Porto de Sines, Pedro do Ó Ramos, confirmou a tendência de crescimento da estrutura que dirige: “Em 2027 iremos fazer um investimento de 700 milhões. Até final do primeiro semestre deverá ser lançado o concurso para construção do terminal de contentores Vasco da Gama, que terá uma capacidade para três milhões de unidades”.
Pedro do Ó Ramos revelou ainda que do investimento previsto, 560 milhões serão provenientes do setor privado e destinam-se à construção do cais. O setor público, que terá a responsabilidade de fazer o molhe, as ligações rodo e ferroviárias e ainda tudo o que se relaciona com o fornecimento de energia elétrica, tem um investimento estimado de 200 milhões.
É evidente que estamos satisfeitos com os resultados obtidos e com a perspetiva de crescimento do porto de Sines. Neste momento é por aqui que passa mais de 50 por cento da carga movimentada em todo o país. Além disso, este porto é já o 14.º a nível europeu no que respeita à movimentação de contentores”, acrescentou.
Plataformas continuam a ser motores económicos
Escolhido por centenas de empresas nacionais e estrangeiras, o porto de Sines, cuja profundidade atinge os 28 metros permitindo-lhe receber alguns dos maiores navios do mundo, continua a distinguir-se pelo volume de carga contentorizada que movimenta. No ano passado, de acordo com as estatísticas oficiais, terão por ali passado cerca de 42 milhões de toneladas de carga distribuída por cerca de 1,8 milhões de contentores. Número que representaram menos 12 por cento do que os verificados em 2024, considerado como o melhor ano de sempre daquela estrutura.
Os dados conhecidos revelam ainda que até julho deste ano, o porto da cidade alentejana já havia recebido a visita de 845 navios, tendo até então movimentado mais de 21.507.228 toneladas de mercadorias. Entre estas, destacam-se os granéis líquidos, com mais de 11 mil toneladas, e a carga geral, com mais de 10 mil toneladas. julho revelou-se, para já, como o melhor mês de sempre do porto construído em 1973. Pelo Terminal XXI terão passado mais de 189 mil contentores.
A dimensão do porto siniense mede-se também pela proveniência dos navios que ali se dirigem. Assim, tendo como referência a tonelagem transportada, conclui-se que a maior parte das embarcações é proveniente de países não europeus (mais de 15 milhões de toneladas). Seguem-se as embarcações da União Europeia (cerca de 4,7 milhões de toneladas) e as provenientes do território continental e regiões autónomas (1,5 milhões de toneladas).
Em Setúbal, como já vem sendo hábito, são as importações de viaturas (construídas na fábrica da Volkswagen Autoeuropa, em Palmela) que se distinguem. Os números relativos ao último ano apontam para que o porto tenha servido, no último ano, para o embarque de cerca de 200 mil automóveis fabricados em Palmela. No mesmo período foram ali descarregados quase 136 mil veículos, número que também constitui um máximo nacional. Se as exportações de viaturas correspondem a cerca de 70 por cento da atividade no país, as importações têm um peso de 60 por cento.
Por Setúbal passaram no ano passado 6,3 milhões de toneladas de mercadorias. Os 1.592 navios que ali escalaram foram responsáveis pelo transporte de 4,7 milhões de toneladas de granéis agroalimentares e 1,35 milhões de toneladas de granéis líquidos.






