Presidente da CVR Setúbal entende que com uma justa comparticipação comunitária será possível atingir mais e melhores mercados estrangeiros, eliminando-se aquilo que considera ser “uma desigualdade competitiva” em relação a outras zonas do país.
Os produtores de vinhos da península de Setúbal esperam que o próximo quadro comunitário de apoios financeiros possa, finalmente, incluir a região como Comunidade Intermunicipal fora da Área Metropolitana de Lisboa e, desse modo, serem contemplados com as verbas necessárias para que possam promover, dentro e fora do país, os seus vinhos.
Na listagem das maiores empresas exportadoras existentes no distrito de Setúbal, existem mais de uma dezena de adegas cujos desempenhos financeiros e também os contributos para a empregabilidade surgem, ano após ano, em lugar de destaque. São, para além de figuras de destaque no ramo agrícola, também importantes contribuidores para as áreas da gastronomia e do turismo. Esse contributo não será, no entanto, devidamente reconhecido ao nível dos apoios financeiros comunitários. Disso mesmo dá conta o presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal (CVRPS), que lembra as dificuldades sentidos nos últimos anos em consequência de não terem sido canalizados para a região os mesmos apoios que cabem a cada uma das restantes zonas produtivas do país.
“Sempre nos têm faltado apoios financeiros por estarmos incluídos na Área Metropolitana de Lisboa. Estamos perante uma clara e evidente desigualdade competitiva, uma vez que as verbas que nos deveriam ter sido atribuídas nunca o foram na proporção devida. A península de Setúbal, ao longo dos anos, deixou de receber o que devia por, supostamente, fazer parte de uma zona rica. A realidade, no entanto, é bem diferente. A riqueza desta região, infelizmente, está muito abaixo da existente noutras áreas”, explicou ao Semmais o presidente da CVRPS, Henrique Soares.
De acordo com o mesmo responsável, o setor da produção de vinhos é “muito superior e muito mais importante em termos económicos e sociais do que muitas pessoas possam imaginar”. “Os vinhos da península de Setúbal são exportados para dezenas de países e as vinhas da região dão emprego, direto e indireto, a centenas de famílias. É da mais elementar justiça que estas pessoas que trabalham nesta área tão importante sejam, no próximo quadro de apoios comunitários, contempladas com os apoios financeiros que têm faltado há mais de 15 anos”, acrescentou.
Henrique Soares refere que com a criação da Comunidade Intermunicipal (CIM), passam a existir mais condições para que os produtores da região compitam em pé de igualdade com os do resto do país. “Á distribuição dos apoios financeiros irá permitir melhor marketing e melhor comunicação. Os números das exportações, sejam em termos de quantidade ou de valores, serão certamente mais elevados. Criam-se melhores condições para todos, sejam os grandes produtores, sejam os agricultores de menor dimensão”, disse.
Com mais de 600 marcas referenciadas, a península de Setúbal tem vindo a conquistar, ano após ano, mais mercados internacionais. Atualmente os produtores locais vendem para mais de 40 dezenas de países de todos os continentes, tendo assegurado um contributo considerado muito assinalável entre os 954 milhões de euros que Portugal fez, em 2025, nas exportações. Mesmo com os problemas decorrentes das guerras e consequentes aumentos dos custos de produção, os agricultores da região têm canalizado esforços para reforçar as vendas nos mercados europeu, mas também do Brasil e dos EUA.






