Italianos investem 140 milhões de euros no estaleiro militar português

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Só dentro de ano se saberá se os fabricantes e vendedores das fragatas FREMM EVO farão ou não parte do conselho de administração da empresa. Todos os postos de trabalho estão assegurados, mas trabalhadores reclamam formação para poderem operar nos novos navios.

A construtora de navios militares italiana Fincatieri, que recentemente foi escolhida para fabricar três fragatas para a Marinha portuguesa, vai investir 140 milhões de euros no Arsenal do Alfeite, capacitando assim aquela estrutura portuguesa para continuar a operar na área da reparação naval. A notícia confirmada pelo Semmais deixa, no entanto, algumas dúvidas no ar, nomeadamente em relação à constituição do futuro conselho de administração. Os trabalhadores entendem que o mesmo deve continuar a ser exclusivamente nacional.

A constituição do futuro conselho administrativo irá ser conhecida ao longo do próximo ano. Esta é uma decisão que já foi aceite pela empresa italiana e também pelo Ministério da Defesa, onde a possibilidade de ter um parceiro exterior não é vista como forma de ingerência na gestão do principal estaleiro de reparação naval militar português. “É normal que os italianos, depois de assegurarem, até 2030, a entrega de três fragatas para a Marinha portuguesa e de terem disponibilizado uma grande quantia para que o estaleiro possa continuar a laborar e a ser competitivo, queiram também, de alguma forma, continuar a ter uma palavra a dizer sobre o modelo de gestão”, disse ao nosso jornal fonte conhecedora do processo.

Assegurada está a permanência ao serviço de todos os 400 funcionários do estaleiro, seja aqueles que estão na dependência direta do Ministério da Defesa, seja os que na sua maioria integram a Alfeite, SA, a outra empresa que assegura os trabalhos. “Provavelmente, tal como aconteceu quando da compra dos submarinos, quando Alfeite teve em permanência equipas de manutenção alemãs, também agora deverão chegar operários especializados italianos. Essa é uma situação normal, porque são eles quem domina esta área. Eles, melhor do que ninguém, estarão aptos para fazer o acompanhamento inicial dos navios e darem formação aos operários portugueses”, explicou ao nosso jornal António Pereira, da comissão de trabalhadores do estaleiro sediado em Almada.

Mesmo sem conhecer o valor total do investimento no estaleiro, o representante dos trabalhadores diz que o mesmo “será fundamental” para que o mesmo sobreviva. “Há vários anos que se escuta que são necessários cerca de 200 milhões de euros para fazer trabalhos fundamentais, instalar equipamentos e comprar ferramentas. Se as melhorias há muito reconhecidas como fundamentais não forem feitas a curto prazo, então muito do trabalho que ainda aqui se vai fazendo acabará por desaparecer, por ser transferido para outro lado. A Marinha portuguesa é o principal cliente/utilizador do Arsenal do Alfeite e ambos são complementares e fundamentais para a operacionalidade do outro”, disse.

Obras fundamentais arrancam em 2027

Os trabalhos de modernização do Arsenal do Alfeite deverão iniciar-se já no próximo ano. Essa é uma condição essencial, uma vez que a primeira das três fragatas construídas pela Fincatieri deverá ser entregue em 2029. Nessa ocasião, dizem os especialistas em reparação naval, os estaleiros já deverão possuir, entre outras estruturas, uma doca flutuante.

“A doca flutuante que poderá custar até 55 milhões de euros é, de facto, essencial para o tipo de trabalho que aqui se pretende fazer, mas não é o único equipamento em falta”, disse António Pereira, acrescentando que são necessárias muitas outras ferramentas capazes de poderem servir para operar em navios de grandes dimensões. “É preciso construir uma ponte-cais onde as fragatas possam acostar. É preciso ter uma plataforma que dê acesso a todos equipamentos. É preciso formação especializada ministrada a todos”, acrescentou.

António Pereira relembrou, por outro lado, que o Arsenal não será apenas determinante para a manutenção das futuras fragatas e dos dois submarinos da Marinha: “Este estaleiro irá continuar a ser o mais utilizado pelas embarcações militares e por isso deve reunir todas as condições, em termos materiais, humanos e de gestão. A Marinha já foi reforçada com um porta-drones e vai receber em breve dois navios abastecedores. Além disso é também aqui assegurada a manutenção das fragatas já existentes e, em breve, deverão também chegar os “patrulhões” que estão a ser construídos nos estaleiros de Viana do Castelo”.

Características das fragatas compradas a Itália

As três fragatas FREMM EVO que Portugal comprou a Itália (ao abrigo do programa europeu SAFE), num valor total de 3,9 mil milhões de euros, fazem parte do reforço militar do país estipulado no âmbito da Nato e depois de terem alastrado os conflitos militares por vários países.

As embarcações em causa vêm substituir outras que já têm mais de 30 anos de atividade e destacam-se pela capacidade que possuem para a luta anti submarino e anti navio.

Além disso possuem também acentuada capacidade para a defesas antiaérea, estando dotadas de equipamentos que lhes permitem detetar e derrubar mísseis e drones.

São navios com 144 metros de comprimento, capazes de deslocarem 6.500 toneladas e que têm uma tripulação estimada de 145 militares. Estão preparados para permanecerem 45 dias consecutivos no mar (11 mil quilómetros sem necessidade de reabastecimento), estão equipados com motores de gás e elétricos e atingem uma velocidade de 50 quilómetros/hora.

Podem disparar mísseis anti aéreos e misseis anti navio, dispondo também de dois canhões de 76 mm e duas peças automáticas de 30 mm.

As FREMM EVO são atualmente utilizadas por Itália, França e Egipto.