A comitiva chinesa chega a Portugal no domingo, para uma estadia de cerca de duas semanas, durante a qual receberá formação tecnológica e visitará empresas portuguesas, além de participar em atividades culturais.
A Universidade Politécnica de Setúbal vai receber cinco estudantes e dois professores chineses para formação em automação e robótica, no âmbito de uma rede de ensino técnico e profissional criada pela China.
A informação foi avançada à agência Lusa pelo coordenador da Oficina Lu Ban Portugal, José Pedro Magalhães Lucas, à margem da Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento do Ensino Profissional e Técnico, que decorre até sábado na cidade de Tianjin, no norte da China.
A comitiva chinesa chega a Portugal no domingo, para uma estadia de cerca de duas semanas, durante a qual receberá formação tecnológica e visitará empresas portuguesas, além de participar em atividades culturais.
Inaugurada em 2018, a Oficina Lu Ban de Setúbal integra uma rede internacional de centros de formação técnica promovida pela China, que abrange atualmente 38 unidades em 32 países, segundo dados divulgados pelo ministério da Educação chinês.
O primeiro centro foi criado na Tailândia, em 2016, e a iniciativa recebeu o nome de Lu Ban, um carpinteiro, engenheiro e inventor da China antiga, considerado um símbolo da inovação e do conhecimento técnico.
A parceria entre Setúbal e a Escola Vocacional de Mecânica e Eletricidade de Tianjin concentra-se nas áreas de automação, robótica e controlo industrial, com equipamentos fornecidos e mantidos pelos parceiros chineses.
“Todo o laboratório é mantido por eles”, explicou Lucas, acrescentando que os equipamentos são substituídos sempre que surgem avarias ou necessidades de modernização.
O docente, responsável pela conceção das infraestruturas, destacou a integração das máquinas num sistema de Indústria 4.0, que permite simular processos industriais automatizados.
“É um laboratório que não existe em nenhuma faculdade, sequer parecido”, afirmou.
A cooperação funciona nos dois sentidos. Todos os anos, entre quatro e cinco estudantes portugueses deslocam-se à China, onde permanecem cerca de um mês para receber formação e participar em competições técnicas.
Apesar dos resultados, Lucas reconheceu dificuldades na compatibilização dos sistemas educativos dos dois países, nomeadamente no reconhecimento de qualificações e na adaptação dos programas curriculares.
“Eu não consigo ter um professor chinês na Lu Ban se me quiser auxiliar porque ainda não há essa formalização”, explicou.
As diferenças regulamentares dificultam também a introdução de novos conteúdos nos cursos portugueses, embora a cooperação tecnológica tenha prosseguido.
Em setembro de 2024, Setúbal acolheu a inauguração do Centro Europeu de Certificação de Ensino EPIP, modelo pedagógico chines baseado na articulação entre engenharia, prática, inovação e projeto. O centro funciona a partir da Oficina Lu Ban Portugal.
O coordenador reconheceu ainda que a falta de recursos humanos limita a expansão da Oficina Lu Ban em Setúbal, impedindo a instituição de aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pelos parceiros chineses.
“Não posso ter mais do que cinco (alunos, senão não consigo ensiná-los, prepará-los”, lamentou, referindo-se aos estudantes portugueses que participam nos programas de formação na China.
Lucas, de 65 anos, admitiu também dificuldades em encontrar alguém que lhe de continuidade no projeto quando se reformar, dentro de cerca de dois anos.
O docente considerou que a experiência chinesa oferece ensinamentos sobre a valorização do ensino profissional e a criação de percursos alternativos de acesso ao ensino superior.
“O CTeSP foi a melhor coisa que Portugal teve”, afirmou, referindo-se aos cursos técnicos superiores profissionais, que permitem obter qualificações técnicas e prosseguir posteriormente para uma licenciatura.
A conferência de Tianjin, que assinala também os dez anos da criação dos Institutos Lu Ban, reúne representantes de vários países, incluindo o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, para discutir a cooperação internacional e a modernização do ensino técnico e profissional.





