A vetusta sociedade filarmónica tem uma longa história na identidade almadense, e continua a apostar na formação, na diversidade cultural e na proximidade à comunidade.
A Sociedade Filarmónica Incrível Almadense celebra 178 anos de história sem perder de vista o futuro. Entre a preservação de um legado com quase dois séculos e a criação de novos projetos, a coletividade procura afirmar-se como um espaço de aprendizagem, convívio e participação, onde a cultura aproxima gerações e não conhece barreiras sociais.
“A cultura não tem cor política, a cultura não tem religião, a cultura não pergunta quanto uma pessoa ganha e a cultura não pergunta de onde veio”, afirma ao Semmais o presidente, Fernando Viana. O princípio reflete-se numa atividade que abrange a banda filarmónica, o teatro, o coro, o circo aéreo e a música tradicional, envolvendo entre 300 e 350 participantes de diferentes idades
A formação é uma das prioridades da direção, com destaque para a escola de música, que passou de apenas dois alunos, no início da pandemia, para cerca de 22. A coletividade pratica preços reduzidos e disponibiliza instrumentos aos estudantes, procurando evitar que as dificuldades económicas das famílias condicionem o acesso à aprendizagem musical. A intenção é também captar crianças desde cedo e criar condições para uma futura integração na banda.
“Precisamos dar oportunidade àqueles que supostamente a sociedade às vezes se esquece”, sublinha Fernando Viana. A preocupação com a inclusão estende-se aos mais velhos, que participam em projetos como o coro e o Incrível Tradições. Com uma comunidade que vai dos seis aos 94 anos, o dirigente considera que a diversidade da oferta permite encarar o futuro com confiança. “A amplitude que a Incrível tem a nível cultural deixa-nos claramente a olhar para o presente e o futuro de forma otimista”, afirma.
O concerto de gala e a sessão solene, realizados no início do mês, continuam a ser momentos centrais das comemorações. Para Fernando Viana, preservar estas tradições significa “respeitar aqueles que sempre o fizeram durante 178 anos” e honrar os princípios que moldaram a identidade da coletividade. Uma responsabilidade que o presidente associa às palavras de Carlos Guilherme, figura marcante na história da instituição: “no dia em que nós façamos as coisas diferentes ou erradas, deixamos de ser incríveis”.
A direção prepara novos projetos culturais e estruturais, mas prefere manter a reserva até estarem consolidados. “Nesta casa guardamos os objetivos até os conseguirmos”, explica o presidente, defendendo um crescimento gradual e sustentado.
Num contexto de dificuldades sociais e económicas, Fernando Viana acredita que o associativismo pode assumir uma importância crescente. A Incrível quer continuar a ser um espaço de encontro e partilha, onde as pessoas possam “voltar a ter união, bem-estar e ter oportunidade de estar e de falar”.






