Setúbal remodela Praça Carlos Relvas e regressa às touradas

Obras começam no próximo ano. A autarquia sadina confirma que os espetáculos taurinos vão voltar a realizar-se e o PAN já contesta decisão.

A câmara de Setúbal confirmou ao nosso jornal que vai remodelar, durante o próximo ano, a Praça de Touros Carlos Relvas. Os espetáculos taurinos estarão assim de volta à cidade, mas o espaço ficará ainda preparado para receber diversas outras atividades lúdicas, desportivas e culturais. Quem não gostou, no entanto, foi o Partido Pessoas -Animais-Natureza (PAN), que não deseja o regresso das touradas.

A decisão de recuperar a Carlos Relvas foi anunciada depois de a presidente Maria das Dores Meira, ter reunido com o secretário geral da Associação Prótoiro, Hélder Milheiro e com o líder da Associação de Empresários, Ricardo Levesinho. Nesse encontro, realizado durante a semana, a autarca deixou claro que as obras não têm apenas como objetivo os espetáculos tauromáquicos, mas também transformar o espaço num centro multiusos, o qual será coberto, à semelhança do que acontece com outros recintos taurinos do país que foram adaptados.

À solicitação do Semmais, a edilidade responde que, após as obras, a atividade tauromáquica terá condições para ali decorrer. “A presidente da câmara municipal confirmou essa possibilidade, uma vez que a manutenção de tais condições não invalida, de forma alguma, as funções principais que se pretende que aquele espaço tenha no futuro”, afirmaram os responsáveis municipais, acrescentado que “a remodelação desta antiga praça tem, acima de tudo, como finalidade criar um novo espaço cultural na cidade, qualificado para os mais variados espetáculos, tal como acontece com a Praça do Campo Pequeno, em Lisboa. Importa assim clarificar que a Praça Carlos Relvas, depois da sua requalificação, não se destina, exclusivamente, à tauromaquia, atividade já com pouca expressão no concelho e que, de forma alguma, poderia estar no centro desta requalificação”.

 

PAN fala em retrocesso, Prótoiro aplaude iniciativa

Face à confirmação da tauromaquia na Carlos Relvas, o PAN emitiu um comunicado que considera a decisão como “retrocesso civilizacional” e que pretende obter esclarecimentos de Maria das Dores Meira, os quais serão solicitados pela deputada municipal Suzel Costa.

“A confirmar-se, esta posição representa um enorme retrocesso civilizacional para esta capital de distrito, que tem vindo a construir uma imagem turística focada na harmonia entre o ser humano e a natureza, o que não se coaduna com atividades como a tauromaquia”, disse o porta-voz do PAN, André Silva, lembrando que em 2017 a Assembleia Municipal de Setúbal terá aprovado por unanimidade uma moção do seu partido que defendia a saída de Setúbal da União Internacional das Cidades e Vilas Taurinas.

Em declarações ao Semmais, o secretário geral da Prótoiro congratulou-se com a decisão do município em “recuperar um edifício histórico da cidade”, considerando que a deliberação da autarca em promover os trabalhos de recuperação da praça de touros é uma demonstração de “respeito pela cultura e tradição taurina da cidade”.

Sobre a multiplicidade de atividades que o espaço irá receber, Hélder Milheiro considerou que a decisão “é lógica e racional”.

Ainda relativamente às obras, que serão subsidiadas por fundos comunitários, deverão ocorrer em duas fases distintas. Num primeiro momento será remodelado o interior, nomeadamente os corredores, curros, cavalariças, trincheira e bancadas. Posteriormente, a autarquia arranca com os trabalhos para que seja colocada uma cobertura no recinto e construído um parque de estacionamento subterrâneo.

A praça de touros de Setúbal foi inaugurada em 1889, sendo então chamada “D. Carlos I”. Mais tarde, com a implantação da República, adquiriu a atual denominação. Tem capacidade para cerca de 4.500 espetadores. Na cidade, conforme referiu o secretário geral da Prótoiro, já existiu um grupo de forcados amadores.