Realojamento das famílias do 2º Torrão entra em fase mais crítica e urgente

Autarquia garante estar a acompanhar com a máxima atenção a situação e que irá apoiar todos os que terão de deixar o bairro. Pelo menos nove agregados já se encontram realojados e outros 27 já têm solução habitacional.

O realojamento das famílias do 2.o Torrão, na Trafaria, concelho de Almada, é uma questão cada vez mais crítica e urgente. Por este motivo, a autarquia reafirmou o acompanhamento constante e a disponibilidade total em apoiar as pessoas que vão ter de ser retiradas da zona, devido ao perigo de desabamento pela vala de drenagem que atravessa o bairro.

Estas garantias foram reiteradas pela câmara liderada por Inês de Medeiros, que convidou, na quinta-feira, a comunicação social para fazer um ponto de situação sobre o problema com que se debatem os moradores.

“Estamos a trabalhar constantemente para que as soluções sejam encontradas o mais rapidamente possível” garantiu a au- tarca, na sessão de esclarecimentos prestada aos jornalistas. Inês de Medeiros referiu ainda que, “dentro da morosidade e da sensibilidade que este processo merece”, a que se junta uma situação “complexa a nível de habitação em toda a Área Metropolitana”, o processo “está a correr bem”.

Juntamente com o vereador Filipe Pacheco, que detém a pasta da Habitação, foi explicado que o processo está a ser conduzido, com o máximo acompanhamento, pelos serviços da autarquia em articulação com as famílias envolvidas. “Podemos avançar que pelo menos nove agregados já se encontram alojados em novas casas e outros 27 já têm uma solução”, revelou o vereador.

Demolições começam este sábado e vão até à próxima semana

A necessidade de realojamento urgente de dezenas de famílias do bairro do 2.º Torrão deve-se ao risco de derrocada de 83 de construções clandestinas – nem todas utilizadas como habitação – edificadas em cima de uma linha de águas pluviais que foi encanada.

De acordo com a Proteção civil de Almada, as perfurações efetuadas para ligações clandestinas dos esgotos à linha de água, fragilizaram ainda mais a estrutura da conduta e aumentaram o risco de derrocada.

Devido a esse risco, a Câmara de Almada decidiu declarar situação de alerta e ativar o Plano Municipal de Proteção Civil naquele bairro.

O processo de demolição, com início no próximo sábado, vai decorrer ao longo de seis dias, um para cada zona previamente delimitada e comunicada aos moradores.

Processo deverá envolver cerca de 1,5 milhões

Durante a sessão, Inês de Medeiros garantiu que os moradores deslocados receberão apoio da autarquia para todas as questões: “Nós vamos ajudar naquilo que for necessário. No arrendamento, nos serviços de hotelaria, nos casos em que for necessário, na alimentação e também com os animais domésticos”.

Confrontada pelo Semmais sobre os custos para os cofres da autarquia almadense, a edil apontou para verbas entre um e um milhão e meios de euros que deverão estar abrangidos pelo IHRU e outras financiamentos do Estado.

Este processo tem sido alvo de críticas por parte de alguns moradores e Associações presentes no Bairro. Alexandra Leal, presidente da Associação Cova do Mar, denunciou, na passada reunião de Assembleia da União de Freguesias da Caparica e Trafaria, que o realojamento não estaria a englobar toda a população que reside em cima da vala.

“Desde o início que temos relatos de pessoas que foram excluídas pelos serviços de Habitação da câmara de Almada e que agora estão em situação de se tornarem sem-abrigo a partir do dia 30 de setembro”, afirmou, adiantando que algumas dessas famílias têm crianças que a associação acompanha.

Confrontado com estas acusações, o executivo municipal garantiu que “todos os meios e entidades estão acionadas para acompanhar os agregados do 2o Torrão”. Inês de Medeiros assumiu ainda que a vereação olha com atenção, mas com tranquilidade, para as queixas e críticas que são feitas. “Estamos a falar de um processo complexo, que é faseado, que ainda agora começou e que é bastante sensível”, afirmou a presidente.