Alentejo alcança os 3,2 milhões de dormidas e quer atrair ainda mais visitantes

Diversidade paisagística, cultural e arquitetónica faz da região uma das de maior potencial no país. Presidente da ERT diz que é necessário continuar a desenvolver boas práticas ambientais para continuar a atrair novos visitantes. Évora será Capital da Cultura em 2027 e o Baixo Alentejo Capital Europeia do Vinho em 2026.

O crescimento do turismo no Alentejo já não se processa ao sabor do acaso. Com várias faces diferenciadas, a região conseguiu afirmar-se no panorama nacional e transformar-se num destino final e não apenas de passagem. Só no ano passado, de acordo com os dados da Entidade Regional de Turismo (ERT), registaram-se 3,2 milhões de dormidas.

O presidente da instituição, José Manuel Santos, confirmou ao Semmais a tendência de crescimento da região. “É verdade que já terminaram as taxas de crescimento com dois dígitos, mas a verdade é que o Alentejo continua a desenvolver-se e a atrair gente. Continua a ser uma fonte geradora de receitas e a criar postos de trabalho. Só nos primeiros cinco meses deste ano contabilizámos um aumento, no mercado interno, de 5,3 por cento. Também a atratividade no exterior melhorou cerca de um por cento”, diz.

Para o responsável da ERT o crescimento dos “vários Alentejos” existentes não é apenas uma consequência das paisagens, cultura, património arquitetónico e cultural. É também resultado de um conjunto de esforços que, ao longo dos anos, têm vindo a tornar a região mais sustentável a vários níveis, nomeadamente no que diz respeito às boas práticas ambientais: “Neste momento já temos duas regiões que foram certificadas com o selo de sustentabilidade. Mértola e Porto Covo, sendo tão diferentes nas características geográficas, foram distinguidas em 2024 e são exemplos a seguir devido aos bons desempenhos ambientais. Em 2026 é possível que a mesma distinção possa ser atribuída a dois outros destinos”.

Especificando o que se pretende com a sustentabilidade ambiental, José Manuel Santos refere, por exemplo, o que se passa no Alqueva, com as várias ações promocionais que valorizam a água e a paisagem envolvente. “Mas não se trata apenas de mostrar o que já existe de bom. É necessário, por exemplo, que as diversas empresas demonstrem a sua boa consciência ambiental, que apresentem soluções relacionadas com a eco eficiência, seja relativamente à água ou aos resíduos”.

“A sustentabilidade ambiental não é uma causa ganha, mas uma causa que tem de se ganhar diariamente. Não é uma tendência, mas uma obrigação”, diz o presidente da ERT, lembrando que existem aspetos que devem ser melhorados. “Quem não se adaptar não vai conseguir estar no mercado e isso implica a adoção de boas práticas em áreas tão diferentes como ambiente, ordenamento do território, agricultura, minas ou centrais fotovoltaicas”, acrescenta.

A questão da proliferação de painéis solares por toda a região é, de resto, um dos temas que mais preocupam os responsáveis pelo turismo. José Manuel Santos entende que as centrais fotovoltaicas “podem retirar muito ao turismo” e acrescenta que é necessária uma intervenção consciente por parte do Estado: “O Estado deve definir atempadamente a localização desses empreendimentos. Não podemos andar às segundas, quartas e sextas-feiras a falar de boas práticas ambientais e, nos restantes dias, a aprovar empreendimentos que colocam essa sustentabilidade em causa”.

Do mar à serra…uma região diversificada

Fazer turismo no Alentejo é poder desfrutar de distintos tipos de relevo e de ofertas diferenciadas. Os cinco concelhos do Litoral Alentejano são, no verão, os locais de destino preferenciais da maior parte dos turistas, mas não são o ponto de destino único.

“O verão acaba por ser fundamental para muitos operadores turísticos. Sines e Santiago do Cacém, por exemplo, têm crescimentos estimados na ordem dos 10 e 11 por cento, respetivamente. Mas há também bons indicadores relativamente a Odemira. A hotelaria e a restauração estão a desenvolver-se no Litoral”, refere.

José Manuel Santos aplaude todos os esforços que têm sido desenvolvidos para retirar proveitos do Litoral, mas não deixa de salientar que o Alentejo, pela diversidade, pode crescer ainda muito mais se souber promover aspetos como a cultura, paisagens ou gastronomia.

“Évora continua a ser o grande centro. É um chamariz cultural. Uma cidade cheia de história e monumentos que atrai sempre visitantes nacionais e estrangeiros. Só no ano passado registou cerca de 700 mil dormidas e, em 2027, irá ser a Capital Europeia da Cultura, o que fará com que acorram muitos mais”, diz.

Bem diferente da monumentalidade arquitetónica do Alentejo Central, embora igualmente rica em vestígios de diversas eras, é o Baixo Alentejo. Essa região prepara- -se, igualmente, para dar um salto qualitativo quando, já no próximo ano, funcionar como “Cidade Europeia do Vinho”. Será, esperam os responsáveis do turismo, uma oportunidade única para promover o vinho de talha e as práticas ancestrais desenvolvidas há dois milénios, quando da ocupação dos romanos.

Depois, dando continuidade aos diferentes “Alentejos”, o presidente da ERT lembra ainda o potencial do turismo de natureza oferecido na parte Norte, onde pontifica a Serra de São Mamede, e a monumentalidade histórica da cidade raiana de Elvas, onde se cruzam na classificação do património arquitetónico, períodos que vão desde o megalítico até à época da Guerra da Restauração.