Evento é apontado como o de maior dimensão em todo o Litoral Alentejano e a sua organização representa um investimento de cerca de um milhão. Uma festa onde a promoção económica, a cultura e os saberes tradicionais andam de mão dada. Um chamariz que deixa igualmente boas marcas nos concelhos vizinhos.
Mais do que uma área área de entretenimento e espetáculos musicais, a Feira de Agosto que este ano irá ter lugar em Grândola, entre os dias 28 de agosto e 1 de setembro, é uma oportunidade única de dar a conhecer aos milhares de visitantes esperados a possibilidade de tomarem conhecimento de outras realidades, como sejam as tradições locais ou a promoção de um concelho que se vai impondo dentro e fora das fronteiras nacionais, com o turismo mas também com a divulgação do seu património, cultura, natureza e ambiente.
Serão mais de duas centenas os feirantes que terão oportunidade de expor nas bancas concebidas para o efeito e que se preparam para dar um colorido especial a um recinto onde, separados por uma alameda, estarão à disposição quase duas dezenas de equipamentos de lazer, nomeadamente uma pista de carrinhos de choque e também o mais radical “Big Panic”. Serão quatro dezenas de artesãos que, no principal arruamento do certame, irão apresentar uma imensa variedade de brinquedos de madeira, trabalhos de ferro forjado, cerâmica, joalharia, cestaria e peças talhadas em cortiça. Trata-se, afinal, de valorizar os produtos e saberes locais, apresentando- -os como trunfos capazes de seduzir cada vez mais visitantes.
A gastronomia do concelho ocupa, naturalmente, um lugar de destaque nesta Feira de Agosto. Há pratos para todos os paladares, mas são naturalmente os peixes capturados nas águas do concelho, assim como a carne do gado engordado nas pastagens locais que mais irão chamar a atenção. Em simultâneo existe também a oportunidade de conhecer os vinhos locais, com características, paladar e frescura muito próprias conferidas pela proximidade do mar. Instalados na “Rua dos Restaurantes”, os produtores vinícolas da região contam mais uma vez com a dinamização prestada pela Associação de Produtores de Vinho da Costa Alentejana.
Considerada uma das maiores feiras francas que se realizam no país, a Feira de Agosto tem vindo, ao longo dos anos, a procurar novas formas de se impor. Há 25 anos criou-se o Festival Hípico. Este ano este evento terá também a companhia no cartaz de uma Gala Equestre, um Espetáculo de Sevilhanas e uma demonstração da Arte de Campinar (atividade realizada pelos campinos). No picadeiro construído para o efeito e durante três dias, qualquer visitante poderá realizar a primeira experiência equestre.
Um ex-libris com investimento de um milhão
Organizar um evento desta dimensão implica recorrer aos préstimos de todos os serviços e funcionários municipais. De acordo com o que disse ao nosso jornal a vice presidente do município e responsável pela feiras e eventos, entre outros pelouros, o investimento no certame rondará o milhão.
“Este é o maior evento e um ex-líbris do concelho. Recorre a todos os funcionários autárquicos e tem um investimento na ordem do milhão de euros”, explicou Carina Baptista. A autarca salientou depois que não existe um número correto sobre a quantidade de público que aflui a Grândola durante o evento. “Estamos convictos que já tivemos certames que juntaram mais de 150.000 pessoas, mas esse é um número difícil de confirmar, porque não se cobram bilhetes. Sabemos, isso sim, que vem gente de todo o lado. É não só um marco para os grandolenses e para todo o Litoral Alentejano, mas também uma oportunidade de reencontro de amigos e familiares”, acrescentou.
Carina Baptista explicou também que a Feira de Agosto acaba por ser muito importante para a economia do concelho e dos municípios vizinhos. “Infelizmente não temos alojamento para todos os que aqui veem. Isso faz com que muitos visitantes se dispersem por outras localidades, criando assim riqueza, resultando da ocupação hoteleira e da restauração, em todo o lado. Mas esta é também uma oportunidade para que os naturais da terra que residem noutros locais e até no estrangeiro se reencontrem e esse é um aspeto que também vale a pena lembrar”.
“Temos a convicção de que com o programa que apresentamos, muito variado e capaz de atrair gente de todas as idades e condições, conseguimos criar um evento de grande valor, seja económico seja cultural. Temos, por exemplo, artesãos vindos de todo o Alentejo. Temos a capacidade de apresentar os saberes tradicional e contemporâneo, tal como temos a preocupação de promover tanto os expositores públicos como os particulares”, avançou.






