“Bonecos” e a viagem pelo mundo dos contos africanos

Bonecos

Espetáculo de marionetas, para toda a família, conta a história de uma menina que, através de várias histórias, percorrer o imaginário tradicional africano.

“Bonecos”, da Red Cloud Teatro de Marionetas, estará em cena este sábado no auditório do Fórum Cultural do Seixal, às 16h00. A companhia aveirense apresenta a história de uma menina que percorre o imaginário tradicional africano através de vários contos.

O espetáculo de marionetas resulta de uma extensa pesquisa da estrutura e é uma cocriação de Sara Henriques, Rui Rodrigues, Quico Cadaval e Jorge Louraço Figueira. “Havia uma vontade de trabalhar a partir de contos tradicionais e pensamos recorrer a influências africanas e aprofundar o conhecimento, no que diz respeito, sobre a cultura africana e a forma como ela chega até nós e como esta está presente na nossa vida, também Durante a nossa pesquisa tivemos oportunidade de falar com contadores de história africanos, sobre o processo da palavra e da transmissão da cultura africana. Também falamos com o professor Celestino Macedo, que é guineense, e que tem obra sobre África e a Guiné na época pré-colonial.”, começa por contar Sara Henriques ao Semmais.

É então, através da interpretação e manipulação de Sara Henriques e com encenação de Quico Cadaval, que surge a personagem principal deste espetáculo, uma menina que parte à descoberta do imaginário dos contos africanos. “Existe um universo muito vasto e rico, mas concluímos que há muitas histórias também universais e que depois têm as características de cada cidade, ou povo. Acabámos por trabalhar a partir de três histórias, que foram a nossa base, sendo que a dramaturgia foi pensada num sentido de abismo, em que uma história leva à outra, que se incorpora e que dá lugar a outra história.”, explica a atriz.

Paisagens, cores e animais

Na sua viagem até às “árvores contadoras de histórias”, atravessando paisagens como o Sahara e a região do Sahel, a menina encontra-se com algumas das personagens principais destes contos que são os animais. Nesses encontros vê contrariada a lógica, segundo Sara Henriques, a que “nos habituamos” de cadeia alimentar, onde o mais forte come o mais fraco. “Ela percebe que documentários da vida selvagem na tv lá de casa, nada tem a ver com as histórias da savana que ela vai procurar e que que cada animal tem uma história diferente para lhe contar”, sublinha a mesma fonte.

Para ajudar a contar esta história, em cena, surgem então máscaras, figuras de animais e representações de paisagens, concretizadas por Rui Rodrigues, levando o público a este universo “rico e complexo”. Para a atriz, apesar de ser associada muito ao público infantil, a companhia tem a preocupação que a peça capte a atenção de toda a família. “É um pouco transversal aos nossos trabalhos, conseguimos abordar temas, e mesmo toda a componente visual e técnica acaba por interessar às diferentes faixas etárias. Embora as crianças fiquem encantadas com a magia típica e linguagem do teatro de marionetas, os mais velhos acabam por identificar símbolos e outras mensagens que os pequenos não associam com tanta facilidade”, considera a artista.