Entre o Ano CIM e o Ano Real

O ano de 2025 ficará marcado na região por contrastes muito claros. Por um lado, a região assistiu a avanços estruturantes, com a criação da Comunidade Intermunicipal (CIM) a confi gurar-se como uma das instituições mais promissoras para o desenvolvimento regional, capaz de coordenar investimentos e estratégias de forma integrada entre os concelhos. Um feito histórico que poderá transformar a Península num polo de maior peso político e económico no contexto metropolitano.

Por outro lado, a população continuou a sentir os velhos problemas amplifi cados, em especial no setor da saúde. Encerramentos de urgências e de valências médicas, demissões hospitalares e falhas recorrentes nos serviços públicos deixaram a população em verdadeira agonia, refletindo a distância entre os avanços institucionais e a realidade do dia a dia.

Entre os acontecimentos que nos orgulham, destaca-se também a classificação da Serra da Arrábida como Reserva da Biosfera pela UNESCO, um reconhecimento internacional do valor ambiental e cultural da região que reforça o seu potencial turístico e científico, consolidando a identidade única do território.

No mesmo balanço, emergem figuras que marcaram 2025, como o presidente da Câmara do Barreiro, eleito para liderar a CIM, e outros protagonistas que deram visibilidade e dinamismo à vida política, cultural e social da região. Ao mesmo tempo, os números e acontecimentos evidenciam desigualdades persistentes, como a mortalidade infantil elevada, a pobreza acentuada e a pressão sobre recursos vitais, da água à habitação.

Pelo meio o distrito viveu duas eleições que transformaram a morfologia política, com o Chega nas legislativa a captar uma cota-parte de um eleitorado de protesto e, nas autárquicas, mudanças visíveis, com três movimentos independentes a resgatar poderes partidários.

Esta edição do Balanço do Ano do Semmais propõe-se dar uma fotografi a completa de 2025: um ano de avanços, mas também de frustrações, de conquistas institucionais e de desafi os sociais que continuam a exigir respostas urgentes. Entre o “Ano CIM” e o “Ano Real”, fica claro que a Península de Setúbal viveu um ano de contrastes, em que o progresso e o caos coexistiram lado a lado.