O presidente do município acusa a tutela de ter deixado a situação arrastarse ao longo dos anos e de não estar a ressarcir devidamente as intervenções de urgência realizadas, desde a descentralização de competências.
A câmara da Moita está preocupada com o mau estado em que se encontram os centros de saúde do concelho. Desde a descentralização de competências no setor, concretizada em 2023, que o município tem realizado várias intervenções nos equipamentos, tendo a mais recente ocorrido no de Vale da Amoreira.
A denuncia é feita pelo presidente da autarquia, Carlos Albino, que, ao Semmais, classificou as situações de “indignas e preocupantes”: “Infiltrações, humidade e fissuras estão entre os principais problemas identificados. Fiquei consternado com a forma como foi possível deixar os centros de saúde chegar a este ponto. É inaceitável que o Ministério tenha permitido que a situação se arrastasse desta maneira”.
De acordo com o edil o montante necessário para reabilitar os três equipamentos do concelho ronda o milhão de euros. Só no de Vale da Amoreira, em funcionamento desde 2009, o município construiu um parque de estacionamento para os profissionais de saúde e, mais recentemente, avançou com a pintura de cinco gabinetes, tratamento de fissuras, aplicação de tinta específica e instalação de um novo lavatório, com ligação às redes de água fria e de esgotos. “Deixouse chegar a este ponto, nunca se fizeram manutenções e agora são os municípios que têm de intervir de urgência. Estas intervenções estão protocoladas com a tutela, pelo que as despesas terão de ser pagas à câmara. Têm de assumir a responsabilidade. O que é que estão à espera? Que a despesa seja ainda maior? No final, pagamos todos nós, porque isto é dinheiro dos contribuintes”, reforça Carlos Albino.
Em Alhos Vedros o autarca descreve a situação como “digna de um autêntico filme de terror”. “O piso térreo da cave está completamente inoperacional. A humidade infiltra-se em todo o espaço e será necessário refazer tudo por completo. As paredes estão literalmente a desfazer-se. É um cenário impensável para um Centro de Saúde”, denuncia.
Pagamento de 1,5 milhões ainda não chegou
O autarca vai mais longe nas críticas e acusa o Estado de “não se comportar como pessoa de bem”, sublinhando que continua por pagar a construção do Centro de Saúde da Baixa da Banheira, uma empreitada avaliada em 1,5 milhões. “Andamos a brincar com a saúde e com as pessoas. Isto é completamente indecente. Há quase dois anos que esse equipamento foi inaugurado. O Estado anuncia isto e aquilo, parece que há dinheiro para tudo, mas depois não assume os compromissos”, acusa.
Também a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, é alvo de críticas por parte do presidente da câmara. “Ainda na última reunião que tivemos, a senhora ministra disse que, apesar da proximidade a Lisboa, era difícil atrair médicos para a margem Sul. Se conhecesse o estado em que se encontram alguns centros de saúde sob a sua tutela perceberia facilmente porque é que os médicos não querem vir para cá. Não existem condições de trabalho nem de atendimento”, conclui.






