Monólogo estará a cargo de Levi Martins, que terá também em cena os atores André Alves e João Jacinto. A iniciativa vai manter-se em cena na Casa da Música Jorge Peixinho até 12 de abril.
Questões inquietações e a vontade de construir um debate construtivo, sem que os extremos entrem em cena, motivaram a companhia MascarenhasMartins a promover a leitura encenada da peça “Via Dolorosa”, escrita pelo dramaturgo inglês David Hare, que realizou uma viagem a Israel e à Palestina no final dos anos 90.
O trabalho, que estreia na sexta-feira e se mantém em cena até 12 de abril na Casa da Música Jorge Peixinho, no Montijo, resulta do contacto que Levi Martins, diretor artístico da estrutura, teve com este texto durante o seu mestrado em Estudos de Teatro. “O primeiro impacto que o texto teve em mim foi a revelação de uma série de coisas em que nunca tinha pensado sobre este assunto. Tinha uma visão geral do conflito, mas o texto fala de pessoas, tanto em Israel como na Palestina. Acho que nos abre a porta para compreendermos o que existe para lá das questões políticas, culturais e religiosas”, conta Levi Martins ao Semmais.
Para o artista, o texto, por estar assente “na experiência do dramaturgo com aquelas pessoas”, aborda este “tema complexo com equilíbrio” e não de uma “forma panfletária”. “Nunca me esqueci da leitura deste texto, porque continuava a colocar-me questões que fui aprofundando ao longo do tempo, mas que parecem enigmas impossíveis de resolver. São questões muito profundas. Há vidas concretas, perspetivas que nascem da vivência quotidiana e que fogem àquela visão fechada de que um está certo e o outro errado”, acrescenta.
A reflexão que parte deste monólogo, que será também discutido com o público após cada sessão, oferece, segundo o diretor artístico, “mais perguntas que respostas”, mas revela-se “particularmente importante” nos tempos de correm. “Acho que é pertinente pensarmos em conflitos que parecem intransponíveis, talvez para conseguirmos lidar melhor com aquilo que estamos a viver. É muito importante refletirmos sobre o que queremos viver e sobre o que verdadeiramente importa nas nossas vidas”, sublinha.
Questionado sobre o timing da apresentação, Levi Martins confessa que houve uma escolha deliberada da época pascal, procurando também estabelecer uma alusão a um dos momentos retratados no texto original, quando o autor percorre as últimas etapas da vida de Jesus Cristo. “Não quero, de forma alguma, concorrer com a religião. Sinto que um espaço cultural, sendo laico, pode também ser um espaço de rituais que permitem uma reflexão. Acho o exemplo de Cristo interessante porque levanta uma série de questões éticas e morais que poderiam ser muito úteis hoje em dia e, em certa medida, parecem distorcidas ou instrumentalizadas em sentidos que também não consigo entender”, conclui.



