O balanço provisório das operações “Páscoa 2026” da GNR e “Polícia Sempre Presente: Páscoa em Segurança 2026” da PSP não podia ser mais trágico. Segundo os números divulgados no momento em que escrevo este texto, registaram-se, nas estradas portuguesas, 2602 acidentes, dos quais resultaram 20 mortos, 53 feridos graves e 845 feridos ligeiros. Uma verdadeira carnificina é o que se passa nas estradas deste país à beira-mar plantado.
O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, nas redes sociais, escreve, e bem, que “não são apenas números. São vidas. São famílias destruídas”. É isto que uma pessoa decente diz quando fala sobre vítimas e não como “aqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”, a infeliz expressão utilizada pelo Primeiro Ministro referindo-se às vítimas da tempestade Kristin.
O estado de boa parte da rede rodoviária, o excesso de velocidade, o consumo de álcool ou o desrespeito pelas mais básicas regras de trânsito muito contribuem para que Portugal continue a ser considerado como um país do Terceiro Mundo no que concerne à sinistralidade rodoviária.
Não há nada de mais tuga que gabar-se que se fez a viagem em menos tempo, batendo-se autênticos recordes de velocidade, ou daquela ultrapassagem que se fez na estrada nacional, digna de um piloto de Fórmula 1 ou rally que todos pensamos ser. Isto para já não falar na praga quotidiana, agravada nos períodos festivos, dos parolos condutores que conduzem na faixa do meio nas autoestradas.
Mas mais do que investir em campanhas de sensibilização, torna-se importante que sejam dados bons exemplos.
Num vídeo da central de propaganda que se tornou este Governo, o Primeiro Ministro aparece dentro de uma viatura oficial, sem cinto de segurança. O seu motorista também não parece usar cinto. Verifica-se que o carro está em movimento, deslocando-se pelas ruas de Lisboa.
No mês passado, neste mesmo espaço, escrevi a propósito do encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, que Luís Montenegro era o Frei Tomás dos tempos modernos. Recordando a sabedoria popular “Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz”.
Montenegro não nos desaponta, bem pelo contrário. Vem confirmar novamente que não é propriamente um bom exemplo a seguir.
António Reguengos – economista conselheiro



