Venda de borrego alentejano na Páscoa prejudicada por diminuição de consumo

Produtores dizem que vendas caíram cerca de 25%, em comparação com 2019, e os preços sofreram quebras na ordem dos 15% a 20%.

“A pandemia veio prejudicar as vendas, sem dúvida nenhuma, não há por onde fugir”, disse à Lusa António Esteves, um dos responsáveis do Agrupamento de Produtores Pecuários do Norte Alentejano – Natur-al-Carnes, referindo o volume de vendas baixou em cerca de 25% em relação à época de Páscoa do ano passado.

Escusando-se a revelar o volume de vendas deste ano, o responsável do agrupamento, que tem cerca de 100 produtores, explicou que a quebra “deve-se muito” à pandemia de Covid-19.

Segundo o presidente da Associação dos Jovens Agricultores do Sul (AJASUL), Diogo Pestana Vasconcelos, o preço do borrego sofreu “uma queda significativa”, na ordem dos “15% a 20%”, e o número de encomendas também caiu muito.

Este ano, devido a medidas para conter a Covid-19, “as pessoas não se juntam e não há a Páscoa da família” e, por isso, “o comércio do borrego ressente-se”, disse Diogo Pestana Vasconcelos, indicando que “até encomendas que tinham sido feitas foram canceladas” e as “das grandes superfícies reduzidas”.

Diogo Pestana Vasconcelos frisou que os produtores “estão com dificuldades de escoamento” no mercado nacional e “a grande esperança é a exportação”.

Mais a sul, no Baixo Alentejo, “o panorama de vendas começou bem para os produtores, com preços razoáveis e muito parecidos aos do ano passado, na ordem dos 2,80 euros o quilo”, mas a pandemia “veio estragar a situação” aos engordadores, que vendem à grande distribuição, atestou João Pedro Lourenço, do Agrupamento de Produtores Pecuários – Carnes do Campo Branco.

Segundo o responsável, os produtores começaram no início de março a vender borregos vivos a engordadores, que engordam os animais para depois serem abatidos e vendidos na altura da Páscoa a talhos, restaurantes e superfícies comerciais.

 

Os produtores “não foram afetados diretamente”, porque conseguiram retirar “praticamente todos os borregos das explorações” e vendê-los “a preços razoáveis” a engordadores “antes do início da pandemia”, frisou.

No entanto, atualmente, “os engordadores estão a ter dificuldades em vender borregos”, porque “a pandemia fez baixar muito o consumo e a procura e fez com que o preço do borrego baixasse também”, disse.

“Esperava-se que houvesse mais consumo de borrego na altura da Páscoa, como é normal”, mas tal “não está a acontecer este ano”, referiu João Pedro Lourenço.

Já no distrito de Évora, a APORMOR – Associação de Produtores do Mundo Rural da Região de Montemor-o-Novo, que opera o maior parque de leilões do país de bovinos e de pequenos ruminantes (ovinos e caprinos), diz que “as vendas de borregos mantêm-se dentro do que é normal”.

Apesar da pandemia, a APORMOR “não está a sentir qualquer retração” do negócio, afirmou António Camelo, assistente executivo da direção da associação, referindo que o mais recente leilão de ovinos decorreu no dia 26 de março e o próximo está agendado para dia 23 deste mês.

O negócio “tem-se mantido dentro do que era normal acontecer, tanto por parte de quem apresenta os borregos para venda, seja em número de produtores ou de animais, como por parte do dos compradores”, afiançou, referindo que “a média do preço por quilo de borrego vivo ronda os 2,80 euros”, ou seja, “o mesmo do ano passado”.

António Camelo argumentou que, na Páscoa, apesar das limitações de circulação devido à Covid-19, “vai sempre haver gente que faz questão de comer borrego”, cujo “abastecimento de carne está garantido”, e, “como as pessoas estão confinadas em casa, mais facilmente conseguem estar em família”.