Pandemia fez a primeira vítima no Alentejo e atinge 176 pessoas

Um estudo de Universidade Nova de Lisboa diz que o número de mortes no país pode ser bem mais elevado do que o que tem sido divulgado.

Morreu a primeira pessoa infetada com Covid-19 no Alentejo. Trata-se de um homem de 87 anos que estava internado no Hospital de Beja. Esta morte ocorre num momento em que a pandemia parece dar sinais de estar a estabilizar, com o número de contaminados na região a ser agora de 176, mais três que ontem.

No relatório de situação da Direção Geral de saúde (DGS) contam-se agora dez concelhos alentejanos que têm um mínimo de três infeções confirmadas. Na dianteira desta lista indesejável conta-se Moura que, de acordo com as entidades estatais conta com 29 doentes mas que, de acordo com a autarquia, são já 34.

Em Évora, que durante muitas semanas foi o concelho mais flagelado, os números sofreram uma diminuição durante a última semana e, nos dois últimos dias, voltaram a aumentar, havendo agora 23 doentes confirmados.

Na lista do Alentejo seguem-se Serpa, com 18 casos, Beja, com nove, Reguengos de Monsaraz, com sete (a Câmara Municipal confirma este número e refere ainda a existência de um recuperado), Portalegre e Elvas, ambos com seis (na cidade raiana, de acordo com as estatísticas municipais, existem sete infetados), Cuba, Almodôvar e Portel, cada qual com três.

O Semmais sabe também que noutros concelhos, como por exemplo Odemira, existem um doente confirmado e dois recuperados, contando-se igualmente um em Marvão, outro em Castelo de Vide, e um outro em Nisa.

Nos concelhos do Litoral Alentejano integrados no distrito de Setúbal registam-se, segundo a DGS, cinco casos em Alcácer do sal, sete em Grândola e 13 em Santiago do Cacém. Estes valores não são coincidentes com os dos respetivos município. De acordo com a Câmara de Alcácer contam-se ali quatro doentes e um recuperado. Para o município de Santiago do Cacém os infetados são nove e os recuperados cinco e em Grândola serão 11 doentes, um recuperado e ainda 17 pessoas em vigilância ativa.

No país contam-se agora 785 mortos, mais 23 que na véspera. O número total de infetados cresceu 2,8 por cento, cifrando-se nos 21.982. Há 1146 pessoas internadas, sendo que 207 estão em unidades de cuidados intensivos. O número de recuperados é 1143 e, pelo segundo consecutivo é superior ao de vítimas mortais.

Estes números surgem também no dia em que um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, levanta dúvidas sobre a autenticidade do número de mortes que a doença tem causado.

De acordo com esse estudo, terão morrido em Portugal, entre 16 de março e 14 de abril deste ano, mais 1200 pessoas do que a média verificada, nessas mesmas datas, nos últimos dez anos. Os responsáveis dizem que no período em apreço a DGS havia contabilizado 599 mortes por Covid, restando, portanto, em relação aos óbitos a mais, 659 casos de falecimentos para os quais não terá sido avançada uma explicação.

O estudo da Universidade Nova refere, por outro lado, que desde que foram decretadas as medidas excecionais de circulação, houve menos 46 por cento de mortes devido a acidentes rodoviários no país. Do mesmo modo verificou-se uma diminuição de 48 por cento das deslocações às urgências dos hospitais.