Mantém-se os 218 doentes registados sexta-feira na região. A Igreja apela aos fiéis para não irem à peregrinação do 13 de maio. A fiscalização nas estradas mantém-se apertada.
Não se registaram alterações significativas no Alentejo em relação à pandemia de Covid-19. Os números de infetados e de mortos são os mesmos dos contabilizados na véspera, respetivamente 218 e um. O distrito de Beja é o que tem mais concelhos afetados e o município de Moura o que regista mais doentes referenciados.
Os números da Direção Geral de Saúde (DGS) dizem que há 54 doentes confirmados em Moura, situação que não é corroborada pelo município, que refere apenas 40. Neste concelho, tal como tem vindo a ser referido, os maiores focos da doença foram detetados nos sítios do Espadanal e do Vale do Touro, onde residem comunidades ciganas que, de início, se recusaram a atender às solicitações dos técnicos de saúde para se submeterem aos testes de despistagem. Agora, isolados, são abastecidos diariamente de alimentos, água potável e medicamentos por funcionários municipais.
Em Évora continuam a registar-se os mesmos 19 doentes, mais um do que em Serpa, que é o terceiro concelho alentejano mais atingido. Beja surge com dez casos e Almodôvar com oito. Montemor-o-Novo conta agora com sete doentes, enquanto que Portel e Vendas Novas têm, cada qual, seis infetados. Portalegre e Elvas têm cinco casos cada, mais um do que é reportado pela DGS em Odemira (a câmara diz que são dois ativos e outros tantos recuperados). Cinco são também os casos contabilizados pelas autoridades nacionais em Reguengos de Monsaraz, sendo que aqui a edilidade não conta nenhuma situação ativa e refere apenas que tem oito doentes já recuperados. Em Cuba e Ponte de Sor existem três doentes.
Nos concelhos do Litoral Alentejano integrados no distrito de Setúbal os números da DGS e das autarquias voltam, uma vez mais, a não coincidir. Enquanto a DGS refere a existência de quatro doentes em Alcácer do Sal, oito em Grândola e 15 em Santiago do Cacém, os municípios apresentam levantamentos diferentes, a saber: Alcácer do Sal, zero doentes ativos e cinco recuperados; Grândola, cinco doentes ativos, sete recuperados e 18 pessoas sob vigilância; Santiago do Cacém, cinco doentes ativos e nove recuperados.
A Câmara Municipal de Sines, que há muito saiu das listagens da DGS (por ter menos de três casos ativos) refere não possuir qualquer infetado, reportando apenas dois recuperados.
Por regiões, há a registar uma correção avançada pela própria ministra da Saúde, Marta Temido, relativamente ao número total de infetados. De acordo com a ministra, terá existido, na sexta-feira, uma duplicação de casos devido a um erro informático, pelo que os valores hoje divulgados mostram uma diminuição de 161 ocorrências.
Agora o Norte tem 14.951 doentes e 585 mortes. O Centro tem 3426 infetados e 206 óbitos. Em Lisboa e Vale do Tejo os pacientes são 6047 e as vítimas mortais 205. No Algarve contam-se 331 infetados e 13 falecimentos. Nos Açores o número de vítimas mortais é agora de 13 e o de doentes de 131. Por fim, na Madeira, não existem alterações: 86 doentes e nenhuma morte a lamentar.
A DGS informa ainda que no dia de hoje há 25.190 doentes confirmados em todo o país, sendo que o número de internamentos é de 855, dos quais 150 são em unidades de cuidados intensivos. Existem 1671 pessoas recuperadas e o número total de óbitos ascende a 1023 (mais 16 do que na véspera).
O final do período de emergência e a consequente passagem para o de calamidade não significa que a pandemia esteja ultrapassada e que as restrições sejam levantadas na totalidade. Disso mesmo o dão conta as autoridades de segurança e de saúde. A primeira coisa a reter é que vão continuar as operações de fiscalização nas estradas de todo país, tendentes a identificar todos os que pretendam circular sem terem motivos válidos. Depois, continuam a estar proibidos os ajuntamentos com mais de cinco pessoas, o que na prática significa que os que violem esta regra podem ser interpelados e submetidos às penalizações legais.
Também as autoridades religiosas para agora mais sensibilizadas para as medidas preventivas. Hoje o bispo de Leiria/Fátima, D. António Marto, apelou aos fiéis católicos para que não se desloquem este ano ao Santuário de Fátima para celebrarem o 13 de maio. “É um ato de responsabilidade suspender a peregrinação de 13 de maio”, disse o eclesiástico, lembrando que os que pretenderem podem assistir às cerimónias através da televisão ou da internet.
Outra das marcas que a pandemia está a deixar é a da falta de sangue nos hospitais. Para já, as reservas existentes darão, apenas, para cinco a sete dias. Esta é uma situação que se afigura muito grave, tanto mais que é esperado um aumento do fluxo de tráfego (e portanto de acidentes rodoviários com feridos) a partir do dia 4.
O presidente do Instituto Nacional de Saúde, Fernando Almeida, quis também deixar hoje um alerta para a necessidade de continuarem a manter-se as regras preventivas. “Isto tem ondas e pode surgir uma onda muito maior”, disse aquele responsável, chamando a atenção para o muito provável surgimento de uma segunda vaga de covid-19, a qual poderá causar muitos mais mortos e danos bem maiores em toda a economia.




