Creche de Alcáçovas preparada para reabertura mas focada na ‘segunda vaga’

A creche SCMA está preparada para receber as primeiras crianças segunda-feira, respeitando as instruções da Direção-Geral da Saúde, mas focada na ‘segunda vaga’ de regressos, prevista para 1 de junho.

A data coincide com o final do regime de lay-off ou da baixa de apoio familiar para muitos dos encarregados de educação e as duas semanas de distância permitem mais tempo de preparação para receber um maior fluxo de regressos, apesar de todas as limpezas e desinfeções terem sido efetuadas já durante esta semana, explicou à Lusa o provedor da creche da Santa Casa da Misericórdia de Alcáçovas (SCMA), João Penetra.

“Estamos a preparar já o dia 1 de junho, em que vamos ter mais crianças, e estamos já a fazer o plano de contingência para essa altura, para que possamos garantir aos nossos meninos a maior segurança possível”, referiu o responsável da instituição.

Para já, de acordo com a educadora responsável da creche, Rosa Maia, estão asseguradas as recomendações da Direção-Geral de Saúde para receber as primeiras seis crianças, esperadas segunda-feira, nomeadamente a “separação de lugares”, tanto no refeitório como na sala de atividades ou no berçário. Dificilmente será possível “implementar outro tipo de afastamento”.

“Dia após dia há alterações e estamos sempre a atualizar o plano de contingência. Vai ser mais difícil de concretizar (a partir de 1 de junho), mas já temos definidas saídas, entradas e circuitos alternativos, porque a instituição em si tem uma estrutura que permite essa mobilidade de pessoas”, explicou a educadora.

O plano de contingência inclui, segundo João Penetra, “desinfeções regulares, horários em ‘espelho’ (chegada desencontrada) e delimitação de funcionários por meninos e salas”.

O objetivo é “não haver cruzamentos” de pessoas e reduzir o risco ao “mínimo possível”, o que incluiu também a realização do teste de covid-19 aos nove funcionários da creche, que “deram todos negativo”.

Num concelho que continua sem registar qualquer caso de Covid-19 desde o início da pandemia – o que “tranquiliza mais” -, os pais das crianças encaram o regresso dos filhos à creche “com receio, mas com confiança”.

“Nesta idade é muito difícil manter o distanciamento, as crianças não têm essa noção, nem a de não poder partilhar um brinquedo. Acho que reunimos as condições para poder abrir, mas enquanto pais ficamos sempre preocupados com o que pode acontecer”, admitiu Filipa Quaresma, diretora técnica da SCMA e mãe de uma criança que regressa na segunda-feira feira à creche da instituição.

Como mãe, Filipa criticou a opção de começar a abrir os estabelecimentos de ensino “pelos mais pequenos”, quando seria “mais fácil” iniciar o processo pelos alunos do ensino secundário, que têm “mais noção” dos meios de proteção e da distância que devem guardar.

Como responsável da SCMA, mostrou-se “confiante em que o vírus não entre na creche”, devido a “todas as medidas de higienização e cuidados” que estão a ser garantidos.

A “confiança na instituição” foi, aliás, transmitida pela maior parte dos encarregados de educação através dos contactos telefónicos com a educadora responsável, Rosa Maia, que às questões de segurança acrescentou outras preocupações no relacionamento com as crianças e o seu desenvolvimento numa idade sensível, entre o berço e os 36 meses de idade.

“O uso obrigatório da máscara vai ser um ‘handicap’, na medida em que, na creche, é fundamental a nossa expressão, a afetividade, o olhar, a voz. Tudo isso é importante, mas vamos tentar fazer tudo o que seja possível para ultrapassar estes pequenos obstáculos”, afiançou Rosa Maia.