Portalegre reclama encerramento urgente de Almaraz

A central nuclear espanhola dista apenas 100 quilómetros da fronteira e tem apresentado diversas anomalias nos últimos dias. Portalegre, Castelo Branco e Santarém são zonas de risco.

A Câmara Municipal de Portalegre, reunida na quarta-feira, aprovou por unanimidade, uma moção pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha. Esta decisão foi tomada depois de algumas notícias divulgadas pelo Conselho de Segurança Nuclear, que dão conta de constantes anomalias e duas paragens ocorridas nos últimos dias dentro da central, a qual dista apenas 100 quilómetros da fronteira portuguesa.

Em caso de acidente nuclear grave, como recorda a Câmara Municipal de Portalegre, envolvendo a explosão de reatores, os distritos de Castelo Branco, Portalegre e Santarém seriam as zonas do território português afetadas mais rapidamente e com maior gravidade por uma eventual propagação de gases e poeiras radioativas.

“Apesar de as autoridades espanholas reconhecerem o facto de Almaraz se encontrar obsoleta e em final de ciclo de vida útil, o seu encerramento tem sido sucessivamente adiado a pedido da entidade proprietária. Face ao relatado nos últimos incidentes, é entendimento da Câmara Municipal de Portalegre que a manutenção em funcionamento da Central Nuclear de Almaraz representa um risco e um perigo cada vez mais acrescido não só em termos ambientais, mas também para a saúde e vida dos cidadãos, reclamando o seu encerramento no mais curto prazo possível”, diz a edilidade em comunicado.

A Presidente da Câmara de Portalegre, Adelaide Teixeira, enviou um ofício ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro ministro, António Costa, manifestando a sua preocupação e exortando o Governo a intervir junto do Governo espanhol, insistindo na necessidade urgente e imediata do encerramento da Central Nuclear de Almaraz em cumprimento, da Resolução da Assembleia da República n.º 107/2016, de 29 de abril.