Marta Temido está a favor da reclassificação do Centro Hospitalar de Setúbal, vai tentar a contratação de médicos especialistas em falta, e arranjar forma de acelerar a remodelação da unidade. Mas a maior parte das decisões passam pelas Finanças.
A ministra da Saúde, Marta Temido, vai atender ao pedido de reclassificação financeira do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS), com a passagem à categoria D, e promover, de imediato, um estudo com esse objetivo, de modo a dotar aquela unidade de um reequilíbrio financeiro adequado à sua atual dimensão.
Esta posição, que é há muito reivindicada pelos órgãos hospitalares, foi manifestada, quinta-feira passada, durante uma reunião havida com o representante do Conselho Consultivo do CHS, Eugénio Fonseca, onde também participou o presidente do CA, Manuel Roque.
“A senhora ministra está ciente de que esta reclassificação faz sentido face ao aumento de doentes servidos pela unidade, bem como para que o CHS possa praticar uma política de incentivo ao pessoal médico, resolvendo o grave problema de algumas valências médicas, proceder à aquisição de equipamentos atualizados e fazer uma gestão mais proporcionada”, disse ao Semmais Digital Eugénio Fonseca.
Esta alteração, a que Marta Temido diz dar cobertura política, vai agora ser objeto de um estudo mais exaustivo e dependerá, no final, da aprovação do ministério das Finanças. “Para além da reclassificação de um hospital que serve as populações de Setúbal, Palmela e Sesimbra, bem como 30 a 40% de doentes oriundos do Litoral Alentejano, será sempre mais fácil gerir os deficits ao longo de todo o ano, evitando que o acionista Estado o faça no final do ano económico”, lembra Eugénio Fonseca.
Durante a reunião, que tinha sido pedida antes da pandemia, a ministra garantiu que vai exercer a prerrogativa de destacar médicos com incentivos financeiros, com a obrigação destes permanecerem pelo menos três anos nas especialidades. O problema agora é encontrar este grupo de profissionais na ‘bolsa de médicos’, nomeadamente dois oncologistas, cujo serviço ameaça encerrar, mas também para suprir falhas em especialidades como obstetrícia, urgência pediátrica, oftalmologia, urologia e infeciologia, igualmente muito carenciadas de médicos.
Um sim à remodelação, ampliação pode esperar
Já relativamente às obras de requalificação do Centro Hospitalar de Setúbal, a ideia de manter o projeto aprovado pela tutela em 2017, orçado em 17 milhões de euros, é para continuar, sendo que a ministra prometeu avaliar, em conjunto com o Ministério das Finanças, a possibilidade de uma afetação de verbas atribuídas pelos fundos comunitários.
Esta nova posição pode obviar que as obras no hospital de Setúbal continuem ‘penduradas’ pela alienação do Hospital do Outão, negócio através do qual o Estado pretende financiar esta requalificação considerada tão urgente. Segundo Eugénio Fonseca, a afetação de fundos comunitários poderia, pelo menos, fazer arrancar a obra, sem dependência das prioridades do orçamento de Estado.
Neste caso, em cima da mesa estará apenas o projeto inicial de requalificação do Centro Hospitalar de Setúbal e não uma outra ampliação reivindicada por um grupo alargado de médicos, chefes de serviço, com apoio da Ordem dos Médicos. “Para já essa hipótese não é do agrado da tutela, nem dos órgãos de gestão do hospital, porque implicaria alterações, novos estudos, e muito mais tempo a perder. Neste momento, o essencial é fazer a obra, porque está em risco a perda de valências e as condições de operacionalidade do hospital”, afirma o rosto do Conselho Consultivo do CHS.
Eugénio Fonseca não põe em causa a vontade e as razões que os médicos apresentam para uma possível e futura ampliação desta remodelação, mas nesta fase, acredita, “seria deitar tudo a perder”.






