Dos seis médicos existentes, três já ultrapassaram os 50 anos e, portanto, não são obrigados a fazer horário noturno. Situação de rutura total pode chegar com o inverno.
O Hospital Espírito Santo, em Évora, pode ficar já a partir de amanhã, dia 1 de setembro, sem Serviço de Urgência de Pediatria (SUP), em consequência da falta de médicos, conforme alerta o Sindicato dos Médicos da Zona Sul.
De acordo com a sindicalista Tânia Russo, o hospital conta atualmente com seis médicos pediatras, sendo que destes apenas três podem realizar trabalho noturno (os restantes estão impedidos legalmente de o fazer por já terem atingido o limite de idade, atingido aos 50 anos). “Muitos médicos fazem serviço à noite mesmo já tento atingido o limite legal de idade, mas essa situação está a agravar-se progressivamente. Agora não existem condições efetivas para assegurar o serviço de urgência de pediatria durante 24 horas”.
Tânia Russo diz que a situação vivida em Évora já se arrasta há vários anos, mas, apesar das diversas diligências efetuadas junto do conselho de administração do hospital e do Ministério da Saúde, nunca foram tomadas as medidas necessárias. “Os médicos estão exaustos e a resposta que o Estado dá a esta situação é a da aparente adoção de uma política de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde”, acrescentou ao Semmais Digital mesma responsável, salientando que o hospital em causa perdeu, nos últimos, cinco médicos pediatras.
“Neste momento é impossível preencher as escalas. O horário semanal foi inteiramente alocado à urgência e já nem o recurso ao trabalho extraordinário chega para suprir as carências. O trabalho de atividade assistencial em consulta e internamento também está comprometido. Os recursos humanos existentes permitem apenas realizar sete turnos de 12h00 semanais”, adiantou Tânia Russo.
Os médicos dizem ainda que a situação tem tendência para se agravar nos próximos meses. O afluxo de crianças à urgência acentua-se sempre com a chegada do inverno e, até ver, não existe qualquer resposta que assegure o reforço do quadro clínico.






