O projeto social já reintegrou 45 pessoas em situação de sem-abrigo, mas pretende continuar a abrigar e formar a população em situação mais vulnerável, oferecendo melhores condições de vida.
A câmara do Barreiro está a implementar o projeto social “Ser Casa Barreiro”, que tem como objetivo a inclusão social e profissional de pessoas em situação de sem-abrigo.
Através de uma equipa multidisciplinar responsável pela avaliação e gestão de indivíduos em situação de risco, o projeto, que conta com um investimento global superior a 286 mil euros para os próximos três anos, pretende formar e tirar das ruas quem não tem um teto para viver.
Em declarações Semmais, Sara Ferreira, vereadora responsável pela área de Intervenção Social da autarquia do Barreiro, explica que o projeto irá atuar em três vertentes, nomeadamente com a constituição de uma equipa de emergência que andará pelas ruas do concelho para apoiar e acompanhar a situação da comunidade sem-abrigo identificada; a criação de um centro diurno que irá funcionar no edifício Centro Social e Paroquial Padre Abílio Mendes com o intuito de abrigar e formar esta população; e ainda a implementação do projeto-piloto “Housing First” em que serão atribuídos dois apartamentos, no qual será executado o modelo inverso ao que geralmente é aplicado, ou seja, ao sem-abrigo é primeiramente atribuída uma casa e posteriormente feito o acompanhamento de integração na sociedade.
Em paralelo, Sara Ferreira explica que será implementado também um modelo de apartamentos partilhados, gerido pela Associação NÓS, no qual numa fase inicial serão abertas 11 vagas. “A resposta habitacional que nos faltava no “Ser Casa Barreiro” vai ser colmatado com os apartamentos partilhados, dois projetos paralelos que confluem pelo mesmo objetivo”, afirma a vereadora.
Iniciativa social da autarquia já retirou das ruas 45 pessoas
Neste momento o “Ser Casa Barreiro” já está a funcionar, embora o espaço físico de apoio ainda esteja a ser desenvolvido. No início deste mês de outubro, a autarquia assinou um contrato de arrendamento para a utilização de algumas salas das instalações do Centro Social e Paroquial.
Ao todo, 45 pessoas já viram a sua situação salvaguardada, das quais dez em comunidade terapêutica, oito em reintegração no seio familiar, 17 através do arrendamento de um quarto, seis viram atribuída uma habitação no âmbito do protocolo tripartido entre o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, IGF e a Segurança Social, tendo ainda um habitante regressado ao país de origem e três saído do concelho. No entanto, foram ainda identificadas nove pessoas consideradas “sem teto e que coabitam em espaço público”, revelou Sara Ferreira.
O projeto surge em parceria com a RUMO e conta com a participação da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, na sequência da Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA). Outras instituições tais com o Centro Hospitalar Barreiro Montijo, o Comando Distrital de Setúbal da Polícia de Segurança Pública e a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, e ainda Instituições Particulares de Solidariedade Social, estão envolvidas e determinadas a apoiar e dar melhores condições de vida a todos os que se encontram em situação vulnerável.






