Núcleos de Almada, Corroios, Barreiro e Setúbal ajudam mais de 270 famílias. Já todos têm listas de espera de pessoas que não têm de comer.
São cada vez mais as pessoas e as famílias que procuram a Refood. Os números dão conta do auxílio a mais de 270 famílias, num total superior a 1.000 pessoas, e os novos pedidos continuam a chegar. Desde o início da pandemia, em média, as novas solicitações subiram cerca de 80%, com todos os núcleos do distrito a juntarem nomes à lista de espera que cresce dia para dia.
Dos quatro núcleos, há três – Almada, Corroios e Barreiro -, que trabalham na recolha e entrega direta de refeições e alimentos. Só a delegação de Setúbal, por não ter espaço, é obrigada a canalizar os donativos para sete outras instituições que, por sua vez, fazem chegar a ajuda às famílias.
Almada, Barreiro e Corroios são responsáveis pela entrega direta de milhares de refeições. Só no Barreiro, concelho onde a organização está há apenas cinco meses, já foram entregues 7.000 refeições. Uma ajuda que chega hoje a 120 famílias, mais de 300 pessoas.
Sandra Lopes, coordenadora deste núcleo, confessa ao Semmais que “estamos no limite das capacidades e sem possibilidade de alargar a mais pessoas e famílias”. Esta inevitabilidade, diz, está a afetar todas as delegações.
Em Almada, onde o apoio chega a 160 pessoas, o coordenador Pedro Martins reconhece ter “cerca de 20 famílias em lista de espera, mas, diariamente, chegam pedidos aos quais não conseguimos dar resposta”.
Ana Martins, responsável pela comunicação da Refood Corroios revela que “já não fazemos apenas recolha e entrega de alimentos”. As pessoas pedem todo o tipo de bens, até cobertores para os sem-abrigo”, diz.
O confronto diário com as necessidades alheias leva muitas vezes os próprios voluntários a avançarem com donativos. “Há dias chegou-nos um casal da Amora, sem comer há três dias e que, desesperado, pedia ajuda depois de não conseguir mais do que ficar em lista de espera do Banco Alimentar e da Cruz Vermelha. Em alguns casos, como este, somos nós voluntários quem se mobiliza para ajudar”, contou Ana Martins.






