Arte xávega vai ser recriada em Alfarim

Há três décadas eram dezenas os barcos que se faziam às águas do Meco para praticar este método de pesca. Hoje, há cerca de uma dezena de barcos que são, praticamente, meras recordações.

A arte xávega já foi uma das mais importantes formas de pesca no concelho de Sesimbra. Hoje é quase uma recordação, subsistindo apenas cerca de uma dezena de barcos e pescadores. Em Alfarim a Associação de Costumes e Tradições procura recriar um modo de vida que ocupou centenas de pessoas.

“Não existe, de momento, um projeto delineado. Há a ideia de recriar a arte xávega, de preferência colocando os barcos no mar, para explicar como é feito este tipo de pesca, mas para isso é preciso contactar os poucos proprietários que ainda restam e saber quais as condições que existem para podermos explicar às pessoas as principais características e importância desta atividade na vida do concelho”, explicou ao Semmais o presidente da associação, Tiago Ezequiel.

A mostra que a Costumes e Tradições pretende fazer deverá ter lugar, na melhor das hipóteses, no verão, altura em que a faina é mais fácil devido às condições do mar. Nessa ocasião, segundo estima Tiago Ezequiel, talvez já tenha sido possível fazer um levantamento junto das comunidades piscatórias de Afarim, Caixa, Fornos, Ariana de Cima, Zambujal e Aldeia do Meco, em cujas águas era frequente, há cerca de 30 anos, observar, em simultâneo, mais de dez embarcações em plena laboração.

O presidente da associação lembra que a arte xávega praticada nas águas da Aldeia do Meco era substancialmente diferente da realizada, por exemplo pelos pescadores de Sesimbra. “No Meco os barcos eram maiores, levando de seis a oito homens, enquanto em Sesimbra embarcavam apenas três ou quatro. Antigamente as embarcações eram movidas pelos remadores, mas nos últimos anos começaram a aparecer os motores, talvez porque também tenha diminuído o número de pessoas a praticar esta arte”, adiantou.

O que já não existe, sem qualquer dúvida, são as juntas de bois que dantes, a partir dos areais, puxavam as centenas de metros de redes largadas dos barcos em forma de círculo. Muitas vezes essas operações eram completadas com a ajuda dos banhistas que se encontravam nas praias, operação que poderá voltar a ser repetida quando a Costumes e Tradições de Alfarim concretizar a recriação pretendida.