Obra é considerada fundamental para um concelho que tem cerca de 40 mil pessoas sem médico de família. O terreno existe e o trabalho está no Orçamento de Estado.
O futuro hospital do Seixal é uma obra que vem sendo reclamada desde 2001 e que este ano, finalmente, poderá começar a ser feita. Para que tal aconteça é preciso, no entanto, que o tribunal se pronuncie com celeridade sobre uma impugnação apresentada por um gabinete projetista preterido no concurso realizado no ano passado.
Segundo informação do município, já existe terreno disponível, no Fogueteiro, e os trabalhos encontram-se inscritos no Orçamento de Estado desde 2017. O hospital do Seixal servirá a população do concelho, mas também de Sesimbra, e estará articulado com o Garcia de Orta, em Almada. Ao todo, poderá dar apoio a cerca de 400 mil pessoas. O custo, já com os terrenos incluídos, ronda os 25 milhões euros.
Em declarações ao Semmais, o presidente da edilidade, Joaquim Santos, explicou que depois de concluída a fase de seleção de propostas do Concurso Limitado por Prévia Qualificação, por deliberação do Conselho Diretivo da ARS-LVT, de 2 de outubro 2020, foi aprovado o relatório final elaborado pelo júri e realizado, a 7 de outubro passado, o ato de adjudicação ao projectista ARIPA. No entanto, outro concorrente preterido, a empresa Miguel Saraiva & Associados – Arquitetura e Urbanismo, S.A., instaurou ação de impugnação judicial na qual pede anulação do ato de adjudicação. Atualmente, esta ação de impugnação continua em apreciação e só depois de decisão judicial poderá ser indicada uma data mais precisa para a execução dos trabalhos.
Joaquim Santos, diz que esta é uma obra fundamental para o conjunto de concelhos que dela irão usufruir e, em especial para o Seixal, que em cerca de 170 mil habitantes tem 40 mil que não possuem médico de família.
Projeto prevê criação de uma unidade assistencial diferenciada
O futuro hospital do Seixal está projetado para ser uma unidade de modelo assistencial diferenciado, com processos terapêuticos e meios complementares de diagnóstico alternativos ao internamento. Estará vocacionado, afirma o autarca, para os cuidados em ambulatório, com serviço de urgência básica 24 horas por dia. Prevê a realização de consultas externas diferenciadas, com meios complementares de diagnóstico e terapêutica e exames técnicos em várias especialidades. Terá 60 camas de convalescença, 15 especialidades e unidade de cirurgia em ambulatório.
“Este equipamento hospitalar público, é uma peça fundamental para a melhoria da dignidade e das condições de vida das populações que irá servir, bem como para a resolução dos problemas estruturais do Hospital Garcia de Orta e dos cuidados de saúde na região do Seixal, Almada e Sesimbra”, refere Joaquim Santos, autarca que, ao longo dos anos, tem dado voz ao descontentamento pelo facto de todos os prazos de execução que já foram agendados terem sido ultrapassados. “Defraudaram-se as expectativas das populações”, diz.
“As insuficiências dos equipamentos de saúde que em todo o país já eram sentidas antes da pandemia, tornaram-se agora ainda mais evidentes, pelo que é urgente construir no concelho uma unidade hospitalar. A existência de um hospital no Seixal ajudaria, neste momento, a aliviar a pressão sentida no Hospital Garcia de Orta”, alega ainda o edil.
A edificar num terreno estatal, no Fogueteiro, Amora, o futuro hospital irá ocupar uma área de 100.000 metros quadrados, sendo a sua localização considerada perfeita, uma vez que fica próximo da A2, A33 e EN378 e EN10 e equidistante em relação às três principais unidades hospitalares da zona, nomeadamente de Almada, do Barreiro e de Setúbal.
A câmara do Seixal também já anunciou que irá decretar a isenção do pagamento de taxas municipais, assegurando também a construção de acessos e infraestruturas, num valor próximo dos três milhões de euros.






