Lisnave vai reforçar setor produtivo em 2021

Pandemia não teve grande reflexo negativo no número de navios reparados. A empresa instalada em Setúbal não fez despedimentos nem cortou vencimentos.

Num ano marcado pela pandemia e supressão de muitas atividades, os estaleiros navais da Lisnave optaram por não efetuar qualquer despedimento ou colocar, sequer, os trabalhadores em layoff. E nem sequer se procedeu a cortes no ordenado dos operários que, por motivos de doença ou apoio familiar, tiveram de ficar em casa. Para este ano as previsões apontam até para o regresso das ações de formação para que, a breve trecho, o setor de produção seja reforçado com mais 58 operários especializados.

Respondendo a questões do Semmais relativas ao impacto que a pandemia possa ter causado na empresa, os responsáveis administrativos referiram que, para além do reforço previsto para a produção (já se iniciaram cursos para a formação de serralheiros mecânicos e serralheiros navais), está igualmente pensado proceder à contratação de mais técnicos de segurança e higiene no trabalho.

“A Lisnave conseguiu, com a colaboração de todos, mitigar o impacto da pandemia, assegurando a presença mínima de trabalhadores no estaleiro, fosse através da formação de equipas-espelho ou rotação, ou da implementação de teletrabalho, quando a função o permitisse, entre outras medidas que aumentaram a perceção de segurança. A atividade do estaleiro nunca esteve em causa, tendo sido concluídos todos os projetos, com as necessárias adaptações à situação extraordinária”, referiu o conselho de administração.

 

Empresa intervencionou diferentes embarcações em 2020

Salientando as inúmeras ações coletivas e individuais tomadas para minorar os contágios, a administração de uma das mais importantes empresas navais do país quis ainda relevar o facto de, no ano passado, terem passado pelo estaleiro, para operações de reparo, um total de 76 embarcações, das quais 72 tiveram de ser colocadas em doca seca.

Os dados da Lisnave dizem que, mesmo tendo-se verificado um ligeiro decréscimo face a 2019, 36 por cento dos navios ali reparados (27) são petroleiros, havendo ainda a contabilizar 14 embarcações de transporte de GPL (gás de petróleo liquefeito). No total, estes dois modelos de navios corresponderam a 55 por cento dos trabalhos efetuados.

A empresa refere ainda que houve 15 por cento de trabalhos realizados em navios de contentores, para além de diversas intervenções em dragas e em embarcações de passageiros.

No ano passado os estaleiros da Lisnave foram procurados por 46 clientes diferentes em representação de 19 países, sendo que Reino Unido, Noruega, Singapura, Alemanha e Bélgica foram os mais representados.