Enfermeiros contestam concurso com “apenas três vagas” no Alentejo

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) contestou hoje um concurso da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo com “apenas três vagas” para profissionais da classe e exigiu ao Governo medidas para vinculação de 22 precários.

“A ARS do Alentejo abriu concurso para apenas três vagas, o que significa que não chega, nem de perto nem de longe, para resolver o vínculo precário de 22 colegas”, afirmou à agência Lusa Celso Silva, da Direção Regional do Alentejo do SEP.

Dirigentes do sindicato concentraram-se, esta manhã, no jardim situado junto à sede da ARS do Alentejo, em Évora, para onde foi marcada uma conferência de imprensa, e afixaram uma faixa na qual se podia ler: “Enfermeiros necessários além da pandemia. Contratos efetivos já”.

O concurso da ARS do Alentejo acue alude o SEP, consultado pela Lusa, foi lançado na segunda-feira e está a decorrer até 5 de março para o “recrutamento de três postos de trabalho destinados à categoria de enfermeiro”.

Segundo o sindicalista, as três vagas a preencher “não dão para nada” e até pode acontecer que “nenhum dos 22” precários consiga contrato, uma vez que também “podem concorrer enfermeiros com mais tempo de serviço de outras instituições”.

“Estes 22 colegas que têm vínculo precário correm o risco de, a curto prazo, serem dispensados”, alertou, sublinhando que “muitos deles já estavam a trabalhar na ARS do Alentejo antes de começar a pandemia” de covid-19.

Celso Silva considerou que estes profissionais “fazem falta” ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e advertiu que “a maior prova” da sua necessidade “é que, mesmo com eles, o volume de trabalho extraordinário é enorme”.

“Queremos que o Governo tome medidas concretas e se deixe de retórica política e de elogiar o SNS e os enfermeiros, porque o executivo “tem o poder de encontrar uma solução jurídica que permita vincular estes colegas”.

O dirigente do SEP do Alentejo lamentou ainda o chumbo recente de iniciativas legislativas apresentadas por PCP, BE e PEV na Assembleia da República para “resolver a situação dos vínculos precários”.

Estes 22 enfermeiros com vínculo precário trabalham nos centros de saúde do distrito de Évora e a maioria está ao serviço em Estremoz, Montemor-o-Novo e Vendas Novas, incluindo nos respetivos Serviços de Urgência Básica (SUB), indicou o sindicato.