Tabor de Setúbal discorda, mas tem de receber de volta suspeitos de homicídio

O presidente do Centro Jovem Tabor de Setúbal disse hoje que não concorda que tenha de voltar a acolher os dois jovens suspeitos do homicídio de outro jovem da instituição, mas vai recebê-los.

Os dois jovens vão aguardar julgamento com a medida de coação de apresentações diárias.

“Não compreendemos esta decisão do tribunal. E já decidimos enviar os outros 16 jovens para suas casas – já estamos a fazer contactos nesse sentido -, porque receamos pela segurança desses jovens e dos colaboradores do Centro Jovem Tabor”, disse à agência Lusa Carlos de Sousa, presidente da Direção do Centro Jovem Tabor.

“Após a decisão do Tribunal de Setúbal conhecida na sexta-feira à noite, foram feitas algumas tentativas, em conjunto com a Segurança Social, para que os dois suspeitos, de 16 e 17 anos, fossem acolhidos noutras instituições, mas sem êxito”, acrescentou.

O Centro Jovem Tabor é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) sob a dependência da Diocese de Setúbal da Igreja Católica, que acolhe cerca de duas dezenas de jovens com dificuldades de inserção na sociedade.

“Não podemos, nem queremos, colocar em causa a saúde e a segurança dos outros jovens, de que somos tutores, e que, por isso, estão sob a nossa responsabilidade”, disse Carlos de Sousa, salientando que “um dos dois suspeitos também já tinha ameaçado esfaquear a diretora técnica” da instituição.

“Na prática, pelo menos temporariamente, vamos ficar apenas com um dos suspeitos de um crime de homicídio, porque o outro decidiu ir para sua casa logo que foi conhecida a decisão do tribunal”, acrescentou o presidente da Direção do Centro Jovem Tabor, que é também candidato independente à presidência da Câmara de Palmela nas próximas eleições autárquicas.

De acordo com a Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal, os dois jovens são suspeitos do homicídio de um outro jovem, de 15 anos, que também estava institucionalizado no Centro Jovem Tabor, crime que terá ocorrido a 15 de outubro do ano passado.

A PJ acredita que, depois de consumarem o crime num terreno abandonado contíguo ao Centro Jovem Tabor, os dois jovens embrulharam o cadáver num lençol e lançaram-no para o interior de um poço seco, também perto da instituição onde a vítima e os arguidos estavam institucionalizados.

A vítima estava dada como desaparecida há cerca de quatro meses, mas, tal como os arguidos, já se tinha ausentado, injustificadamente e por diversas vezes, da instituição, o que fez pressupor que o desaparecimento se tivesse devido a mais uma das suas fugas.