Nova ponte-cais emancipa pesca no porto de Sesimbra

Com duas frentes acostáveis a nova infraestrutura vai permitir separar a pesca e as atividades marítimo-turísticas no porto Sesimbra. A obra suplantou os três milhões de euros.

O porto de Sesimbra galgou mais um passo no seu reordenamento com a construção da Ponte-Cais n.º 4, reivindicação antiga das gentes locais e da sua comunidade piscatória, permitindo a separação da pesca das atividades marítimo-turísticas, incluindo a náutica de recreio.

A empreitada, que orçou em 3,25 milhões de euros, foi operada pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), e desenvolve-se numa extensão de 900m2, em duas frentes acostáveis de cerca de 182m de comprimento, permitindo a acostagem simultânea de doze embarcações de maior porte. “Trata-se de uma obra emblemática da APSS, que representa a grande articulação que existe com a Docapesca e com as autoridades locais, oferecendo uma melhor organização funcional do porto de pesca”, refere José Emílio Castel Branco, presidente daquela entidade.

Esta obra, considerada estratégica “para a emancipação” do setor piscatório de Sesimbra, veio resolver a grande conflitualidade que existia entre os operadores da pesca naquele porto e as empresas que se dedicam ao cluster marítimo-turístico, que nos últimos anos fizeram da localidade uma espécie de meca neste setor. “Este empreendimento veio resolver a gestão nem sempre fácil entre as suas atividades, tendo em conta o grande crescimento das marítimo-turísticas que, para se ter uma ideia do crescimento registado, em 2009 tínhamos cinco empresas e hoje são mais de 60”, sublinha ao Semmais o presidente da câmara de Sesimbra, Francisco Jesus. Para além disso, explica o edil, Sesimbra detém hoje o principal spot de mergulho do país, por estar virada a Sul, com maior proteção a banhar o Parque Marinho Luiz Saldanha.

O projeto foi acarinhado pela antiga ministra Ana Paula Vitorino e arrancou ainda pelas mãos da ex-presidente da APSS, Lídia Sequeira, revelando, segundo os responsáveis, “o cumprimento de uma promessa que se insere há muito no plano estratégico de um porto que está limitado na sua expansão, mas tem uma grande importância na pesca nacional”, referiu a atual líder da APSS.

 

Cluster marítimo-turístico também ganha ‘independência’

Também o presidente da Docapesca, Sérgio Faias, enalteceu a concretização da obra, que resolve “uma convivência nem sempre harmoniosa entre as atividades marítimo-turísticas e a pesca”, ao mesmo tempo que realça que este reordenamento vai permitir não só a atracagem de embarcações de maior porte na nova Ponte-Cais nº 4, sendo que as de menor porte utilizarão a Ponte-Cais n.º 3, “num porto de pesca que lidera no país os desembarques de pescado em lota”.

A inauguração ocorreu quarta-feira, com a presença da secretária de Estado das Pescas, Teresa Coelho, que frisou a importância do porto de Sesimbra na pesca nacional. “Este porto e a sua comunidade piscatória é um orgulho para o país, que tem mostrado um grande dinamismo e grande envolvimento incluindo nas questões ambientais”, afirmou.

Com esta operação, abre-se também um novo ciclo de gestão para o cluster turístico no chamado plano de água a nascente da Ponte-Cais n.º 1 e a poente da Ponte-Cais n.º 2, cujo lançamento do concurso público de concessão está para breve.

 

Caixa

Docapesca de Sesimbra no topo nacional

O ano passado a Docapesca de Sesimbra atingiu cerca de 20 mil toneladas de pescado transacionado, colocando-a no primeiro lugar a nível nacional. E é a segunda no que se refere a volume de negócios, a que não é alheia a sua situação portuária estratégica, virada a Sul, e o encerramento da Doca de Pedrouços, em Lisboa. Segundo os números de 2020, a frota piscatória local representou quase 22% do total nacional de capturas de pescado e cerca de 14% em valor de transações em lota. Entre as espécies mais capturadas contam-se a cavala, sardinha e o peixe-espada.

 

Caixa

Variante Rodoviária até ao Zambujal é a luta seguinte

O presidente da câmara de Sesimbra, Francisco Jesus, garante que vai continua a lutar pela construção da Variante Rodoviária entre o porto e a zona da Zambujal. “É o que falta para a total emancipação do nosso porto e fizemos de tudo para que a obra fosse incluída no Plano de Recuperação e Resiliência do Governo, com uma posição conjunta do município, APSS e comunidade piscatória em várias reuniões havidas com o ministro das Infraestruturas”, disse ao Semmais. O autarca lamenta que apesar do ministro Pedro Nuno Santos ter revelado “grande sensibilidade para o projeto” se ter perdido, neste caso, o aproveitamento destes fundos extraordinários do PRR, via orçamento de Estado, uma vez que a União Europeia não financia rodovias. “Propomos uma solução mais curta, sustentável e economicamente mais vantajosa, até ao Zambujal, como a primeira de três fases, e orçada em três milhões de euros, por se concentrar ali as zonas industriais do concelho”, afirma Francisco Jesus.