Garcia de Orta apresenta plano de expansão e requalificação do hospital

O Hospital Garcia de Orta (HGO) apresentou projeto de modernização do hospital, incluindo a criação de um Novo Edifício de Ambulatório (NEA), com objetivo de garantir o futuro, melhorando as condições dos profissionais de saúde e o acesso dos utentes aos cuidados de saúde.

Em comunicado enviado ao Semmais Digital, o presidente do Conselho de Administração do HGO sublinha que “a atual estrutura física do HGO já não permite dar resposta às necessidades de cuidados de saúde atuais e de futuro próximo da nossa comunidade”, adiantou Luís Amaro acrescentando que “esta realidade foi particularmente visível durante o último ano, em que tivemos de recorrer a reorganizações internas e à aquisição de estruturas modulares para garantir os cuidados aos nossos utentes”.

O projeto de expansão e requalificação da unidade hospitalar vai permitir “dar uma melhor resposta aos seus utentes: mais organizada, mais confortável e eficiente aos nossos doentes, nomeadamente através do alargamento e qualificação do espaço do Serviço de Urgência, da modernização dos espaços de internamentos e de consultas externas, da autonomia e modernização de meios complementares de diagnóstico, ou da melhoria das condições para a realização de cirurgias convencionais e de ambulatório”, explica Luís Amaro.

Durante a pandemia, e no seguimento de propostas de expansão do HGO, já apresentadas anteriormente, o Conselho de Administração ultimou três tipos de documentos estratégicos com vista a justificar e orçamentar o projeto de expansão e requalificação do HGO: a atualização do perfil e do dimensionamento necessário do hospital, o plano de reorganização dos espaços físicos, e uma análise de custo-benefício do investimento das intervenções e alterações propostas, com vista à sua aprovação superior.

O planeamento estratégico dos espaços funcionais do HGO e o investimento inerente, vai permitir ainda a eliminação das várias soluções contentorizadas que têm vindo a ser instaladas para dar resposta a problemas de falta de espaço, alterando a coerência funcional e arquitetónica do Hospital.

A documentação foi remetida, para aprovação superior, em março e fundamenta a necessidade de uma profunda requalificação do hospital, cujo projeto inicial data de 1973, e que completa este ano 30 anos de existência. Nestas três décadas, o HGO não beneficiou de nenhuma requalificação significativa e é reconhecido que se encontra esgotado na sua capacidade assistencial e com limitações na resposta às necessidades dos utentes que serve, de Almada e do Seixal, mas que no caso de algumas valências abrange o sul do país.

O projeto de requalificação prevê a reorganização estratégica dos espaços funcionais, o investimento nas áreas de ambulatório e de internamento do edifício atual, assim como a construção de um Novo Edifício de Ambulatório (NEA), redimensionado, facilitador da reorganização e criação de condições essenciais para a continuidade do hospital.

A construção do NEA apresenta-se como uma solução estruturante e sustentável para o HGO, revelando-se essencial para a reorganização dos edifícios atuais, na medida em que permitirá concentrar os principais serviços de ambulatório programado num novo edifício, a segregação dos fluxos e circuitos do doente, bem como a libertação de espaço necessário à reorganização dos atuais edifícios e à melhoria de serviços essenciais, como os Serviços de Urgência e os pisos de Internamento.

O NEA propõe concentrar os gabinetes de consulta externa, exames técnicos não invasivos e os hospitais de dia, a unidade de cirurgia de ambulatório, áreas de apoio ao utente, gabinete de colheitas de análises e farmácia de ambulatório, entre outras áreas, incluindo um espaço de estacionamento subterrâneo.

“No edifício principal do HGO é fundamental e estruturante a intervenção no piso 1, mediante a reformulação dos espaços dos Serviços de Urgência: Geral, Pediátrica, Ginecologia-Obstetrícia e dos Cuidados Intensivos, potenciando a prestação destes cuidados no hospital, assim como a intervenção gradual nos restantes pisos, particularmente nas enfermarias”, sublinha a unidade hospitalar em comunicado.

O investimento previsto para a concretização do NEA estima-se em 18,6 milhões de euros e outros dois milhões de euros para o piso de estacionamento, com possibilidade de execução em regime de project finance. A remodelação e ampliação dos edifícios existentes corresponderá a um investimento de cerca de 15,6 milhões, sendo 5,6 milhões de euros para intervenção nas urgências, UCI, áreas administrativas e edifício do Centro de Desenvolvimento da Criança, e cerca de 10M€ para a remodelação faseada dos internamentos. Estão ainda previstos cerca de 6,2M€ para estudos técnicos, equipamento e reforço das instalações técnicas, o que perfaz um investimento total de 42,4M€, sem IVA. Assim, o valor global do investimento, com IVA, deste projeto ascende a cerca de 52,2M€, e é justificado em termos de custo-benefício no estudo de viabilidade que inclui a sua fundamentação técnica.

O estudo estratégico sobre o perfil e dimensionamento do Hospital Garcia de Orta teve em conta a construção da nova estrutura hospitalar prevista para o Seixal, com a qual o HGO se articulará futuramente.

O investimento no Serviço Nacional de Saúde afigura-se como essencial para garantir a sua sustentabilidade a prazo, permitindo dignificar e requalificar a resposta aos cidadãos na área da Saúde e proporcionar condições de trabalho motivadoras para os Profissionais de saúde do serviço público.