Distrito entra em estado de alerta com cerco da AML

A situação de Sesimbra está a complicar-se, mas a pandemia está a alastrar a toda a região. Os hospitais já sentem o maior afluxo de doentes e os médicos pedem vacinação para os mais novos.

Para além da situação de Sesimbra que viu ontem, quinta-feira, o Governo fazer recuar ainda mais o plano de desconfinamento (ver pág.4), o distrito está neste momento em “situação de alerta” face ao contínuo aumento de casos Covid-19. As únicas exceções são os concelhos de Alcácer do Sal e Santiago do Cacém.

Tendo em conta o aumento de casos e a incidência que se verifica em toda a AML, o Conselho de Ministros decidiu também um cerco à região para este fim-de-semana, o que significa que ninguém deverá poder entrar ou sair da grande Lisboa, que inclui os nove concelhos da península de Setúbal. “É um grande retrocesso, mas justifica-se face ao crescendo de casos e à certeza da presença da chamada variante indiana, mais conhecida por “delta”, explica ao Semmais um responsável hospitalar.

 

Em duas semanas, Garcia de Orta quase triplicou internamentos

Também nos hospitais começa a sentir-se um afluxo de doentes e de internamentos, que já não se registava há muitas semanas. É o caso do Garcia de Orta, a maior unidade hospitalar do distrito, que contava, ontem, com 18 doentes positivos, doze dos quais internados em enfermaria, cinco em unidade de Cuidados Intensivos e um em unidade de hospitalização domiciliária. Segundo informações colhidas pelo nosso jornal, há mais de duas semanas estes números eram bastante mais baixos, sendo que a 28 de maio, por exemplo, registavam-se apenas sete casos positivos, todos em enfermaria.

No entanto, e por prevenção, o Garcia de Orta continua desde a terceira vaga com uma enfermaria de isolamento dedicada à Covid-19 cuja capacidade não se encontra lotada, garantiu fonte hospitalar.

Mesmo antes das decisões do último Conselho de Ministros uma fonte da Administração Regional de Saúde Lisboa e Vale do Tejo garantia ao nosso jornal que “o problema está disseminado por toda a AML”, classificando a situação como “muito confusa e muito complicada”.

 

É preciso inverter plano de vacinação para os mais novos

Nada que uma boa parte dos médicos especialistas não tivessem quase adivinhado, afirmando já estarmos perante uma 4.ª fase da pandemia no que concerne à grande região de Lisboa. “Desde o início que a quarta vaga está em cima da mesa, porque dependia muito das variantes, como esta “delta”, além de que a transmissibilidade das idades pediátricas e nas escolas também concorre para este desfecho”, afirma o médico infeciologista, José Poças, diretor de serviço no Centro Hospitalar de Setúbal.

“Felizmente que o ano letivo está a terminar”, afirma o clínico, lembrando que é “urgente” mudar a estratégia do plano de vacinação. “Não entendo que não abram aos 20 anos, porque é preciso ganhar as pessoas dessa faixa etária, que tendencialmente não adoecem, muito menos de forma severa, mas que são grandes focos de transmissibilidade do vírus”, reafirma José Poças.

Este médico especialista, que esteve na linha da frente do combate à doença em Setúbal, tendo sido responsável por todos os planos de contingência do hospital S. Bernardo, defende mesmo que “é altura de se acabar com a vacinação de faixas etárias por década e começar a vacinar os mais novos, até porque a população mais idosa e mais permeável já está inoculada”.

Por outro lado, José Poças afiança ser o momento adequado para uma grande campanha junto dos mais novos, porque, diz, “são mais resistentes ao uso da máscara e à vacinação”. “Estamos todos virados agora para o futebol, mas daqui a quinze dias voltamos à realidade”.